Projecto BRT Estimado Em De Cerca De USD 250 Milhões Deverá Ligar Maputo, Matola E Marracuene, Transportar Até 125 Mil Passageiros Por Dia E Criar Novas Oportunidades Para Operadores Privados, Fornecedores Nacionais E Trabalhadores, Com Conclusão Prevista Para 2028.
- Projecto BRT deverá transportar cerca de 125 mil passageiros por dia e aproximadamente 40 milhões de passageiros por ano;
- Projecto prevê 16,5 quilómetros de corredor central segregado e 46 quilómetros de rotas directas e alimentadoras;
- 71 autocarros eléctricos deverão integrar a fase inicial de operação;
- Operadores de “chapas” deverão ser integrados nas rotas alimentadoras e no novo modelo empresarial;
- Governo estima criação de emprego directo e indirecto e maior participação de empresas nacionais;
- Banco Mundial identifica a mobilidade como factor determinante para produtividade, acesso a oportunidades e participação do sector privado.
Um Investimento De USD 250 Milhões Para Reconfigurar A Mobilidade No Grande Maputo
A primeira pedra lançada para a construção do sistema de Bus Rapid Transit (BRT) na Área Metropolitana de Maputo, teve lugar nesta quinta-feira, 17.09.2026, e marca a passagem do projecto de mobilidade urbana da fase de planeamento para a execução física, num investimento estimado em USD 250 milhões, financiado pelo Banco Mundial.
Mais do que uma intervenção no sistema de transporte colectivo, o projecto coloca em discussão uma questão com impacto directo sobre a economia metropolitana na região do Grande Maputo, sobre o tempo perdido no trânsito e quanto poderá ser recuperado através de um sistema de transporte mais rápido, previsível e integrado.
Na cerimónia de assinatura dos contratos para a construção da infra-estrutura viária e lançamento da primeira pedra, o Ministro dos Transportes e Logística, João Jorge Matlombe, anunciou o início das obras de um projecto que deverá estar concluído em 2028.
O investimento integra o Projecto de Mobilidade Urbana da Área Metropolitana de Maputo MOVE Maputo, financiado através de uma doação de USD 250 milhões do Banco Mundial. O financiamento foi aprovado para melhorar a mobilidade e acessibilidade na Área Metropolitana de Maputo e inclui, além do BRT, intervenções nas vias, acesso a bairros de baixo rendimento, circulação não motorizada e medidas de segurança rodoviária.
Na fase inicial, o sistema abrangerá Maputo, Matola e Marracuene, criando uma rede que pretende responder à crescente integração económica e residencial da região. Para João Matlombe, o lançamento representa a passagem da planificação para a execução.
O governante revelou que o empreiteiro e a equipa de fiscalização já foram contratados, abrindo caminho para a execução da infraestrutura.
“Hoje não estamos aqui para fazer promessas. Estamos aqui para anunciar a boa nova: que a obra está a começar.”
16,5 Quilómetros De Corredor Exclusivo E 46 Quilómetros De Rotas
O desenho apresentado pelo Governo prevê um corredor central segregado de aproximadamente 16,5 quilómetros, ligando a Baixa da Cidade de Maputo à Praça da Juventude, em Magoanine, e à Rotunda de Missão Roque, em Zimpeto.
A estrutura será complementada por cerca de 46 quilómetros de rotas directas e alimentadoras não segregadas, conectando terminais de Maputo, Matola e Marracuene.
Quando estiver plenamente operacional, o sistema deverá transportar aproximadamente 125 mil passageiros por dia, equivalente a cerca de 40 milhões de viagens anuais.
O Município de Maputo aponta números próximos a 124 mil passageiros diários a serem transportados, e o Banco Mundial aponta para a melhoria da acessibilidade e integração dos transportes como objectivos centrais.
Na fase inicial estão previstos 71 autocarros eléctricos, equipados com sistemas inteligentes de transporte, bilhética electrónica, localização automática dos veículos e informação em tempo real aos passageiros.
Ganho Económico Está Além Da Redução Do Tempo De Viagem
Para o sector empresarial, o principal ganho potencial do BRT não estará apenas no número de passageiros transportados, mas na redução dos custos económicos associados à mobilidade deficiente.
O Banco Mundial considera que um sistema de transporte urbano mais eficiente pode melhorar o acesso às oportunidades e aumentar a produtividade e a viabilidade dos serviços de transporte. O desenho do projecto também prevê maior participação privada na operação, manutenção, financiamento de veículos, gestão de terminais e estacionamento.
Na prática, a melhoria da mobilidade poderá produzir efeitos em diferentes segmentos da economia. Para os trabalhadores, significa potencial redução do tempo gasto entre casa e local de trabalho.
Para as empresas, significa maior previsibilidade na deslocação da força de trabalho e maior acesso aos mercados metropolitanos. Para pequenos negócios, significa melhores condições de acesso a zonas de maior concentração de consumidores.
Para os municípios, significa uma rede de transporte mais estruturada e maior capacidade de planear o crescimento urbano. E para os operadores de transporte, a transformação poderá abrir espaço para a passagem de estruturas informais ou atomizadas para empresas com maior capacidade operacional.
Operadores De “Chapas” Poderão Ser Integrados No Novo Modelo
Uma das questões mais sensíveis do projecto é a relação entre o BRT e os actuais operadores de transporte semi-colectivo de passageiros vulgos “chapas”.
O ministro dos Transporte e Logistica, afasta a possibilidade de uma substituição imediata dos actuais operadores, defendendo a sua integração no novo sistema.
“O BRT não vem para afastar nem para substituir os nossos operadores de transporte público. Pelo contrário, vêm para os integrar, capacitar e elevá-los a um novo patamar empresarial.”
Emprego, Fornecimento Local E Novas Empresas
Outro efeito económico destacado pelo Governo é a capacidade de a obra gerar actividade económica durante e depois da construção.
João Matlombe aponta para a criação de emprego directo e indirecto, com enfoque na juventude, e para a dinamização de empresas nacionais através da procura de bens, serviços, mão-de-obra e fornecimentos associados à implementação do projecto.
O ministro deixou igualmente um apelo para que as equipas no terreno apostem na contratação de mão-de-obra das zonas afectadas e na utilização de fornecedores locais.
“Cada obra que começa abre uma porta. Uma porta para o emprego. Uma porta para o rendimento. Uma porta para novas oportunidades.”
O impacto económico, neste caso, poderá ocorrer em duas fases, primeiro, através da construção da infra-estrutura e depois, através da criação de um mercado permanente de serviços de transporte, manutenção, tecnologia, bilhética, gestão, segurança, limpeza e outros serviços associados ao sistema.
Projecto BRT Abre Maior Acesso A Mercados E Oportunidades
A lógica económica do projecto ganha maior dimensão quando relacionada com a própria estrutura da Grande Maputo.
O crescimento residencial de Maputo para Matola, Marracuene e Boane criou uma área metropolitana em que população, emprego, comércio e serviços estão cada vez mais interligados. O Banco Mundial observa que a expansão urbana não foi acompanhada pelo desenvolvimento necessário dos sistemas de transporte, criando limitações às chamadas economias de aglomeração, os ganhos que resultam da concentração de pessoas, empresas e mercados.
Neste contexto, o presidente do Município de Maputo Rasaque Manhique considera que a rede de transporte mais eficiente poderá facilitar a circulação de trabalhadores, consumidores e empresas entre diferentes pontos da metrópole.
Rasaque Manhique, defende que a distância entre residência e local de trabalho não deve transformar-se numa barreira ao desenvolvimento económico das famílias.
“O verdadeiro valor do BRT estará na sua capacidade de integrar pessoas, bairros, actividades económicas e oportunidades.”
Transformar Infra-estrutura Em Produtividade
O lançamento da primeira pedra encerra uma longa fase de preparação do MOVE Maputo. O projecto já havia sido concebido para combinar investimento em infra-estrutura, reforma institucional e regulatória, profissionalização dos operadores e melhoria da circulação urbana.
O desafio agora passa da concepção para a execução.
No discurso de lançamento da primeira pedra e assinatura de contratos, João Matlombe sublinhou que para além de cumprir os prazos de construção, será necessário garantir que o sistema consiga operar de forma financeiramente sustentável, integrar os actuais operadores, assegurar manutenção adequada, estimular a participação empresarial e oferecer um serviço suficientemente previsível para alterar os padrões de mobilidade da população.
“É um investimento nas pessoas. É um investimento no tempo das nossas famílias, no futuro dos nossos jovens, na produtividade das nossas empresas e na competitividade dos nossos Municípios.”
A Área Metropolitana de Maputo como um dos principais espaços económicos do país. Documentos do projecto estimam que a região concentra cerca de 8,5% da população de Moçambique e representa aproximadamente 17% do PIB nacional, mas as deficiências do sistema de transporte limitam os benefícios económicos decorrentes da concentração de população, empresas e mercados.
É neste ponto que o BRT ultrapassa a dimensão de uma obra rodoviária , melhoria da mobilidade e passa a ser tratada como uma condição para aumentar a eficiência económica da região metropolitana.



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