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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026
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ENH Negocia Investimento de US$ 250 Milhões Para Novo Projecto de Gás Natural Com Participação Sul-Africana

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Redacção
20 Out 2026 · 13h44
10 minutos
127

Projecto prevê a instalação de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação em Inhassoro e no Porto da Beira, ligadas ao gasoduto regional ROMPCO através de uma nova infra-estrutura de 140 quilómetros. A iniciativa, prevista para 2030–2031, poderá ampliar a capacidade de abastecimento de gás à África do Sul e posicionar Moçambique como plataforma energética regional.

QUESTÕES-CHAVE
  • Investimento estimado em US$ 250 milhões sustenta negociações da ENH com potenciais parceiros, incluindo a Sasol e a ROMPCO;
  • Novo gasoduto de 140 quilómetros permitirá a ligação das futuras instalações de gás à rede de transporte que abastece o complexo industrial de Secunda, na África do Sul;
  • Infra-estruturas de regaseificação em Inhassoro e Beira deverão entrar em funcionamento em 2030 ou 2031, em articulação com o desenvolvimento dos grandes projectos de GNL;
  • Declínio esperado da produção de Pande e Temane amplia a necessidade de identificar fontes alternativas para o mercado sul-africano;
  • Reserva de gás para o consumo doméstico ganha relevância com as alterações legislativas referidas pela ENH, que estabelecem uma afectação mínima de 25% da produção ao mercado interno.

A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) está a negociar com potenciais investidores, incluindo a petrolífera sul-africana Sasol e a empresa de transporte de gás ROMPCO, o desenvolvimento de um novo projecto de infra-estruturas de gás natural, avaliado em aproximadamente US$ 250 milhões, com o objectivo de ampliar a capacidade de abastecimento do mercado nacional e regional.

A iniciativa, revelada pelo presidente do Conselho de Administração e director executivo da ENH, Rudêncio Morais, numa entrevista à Reuters, contempla a instalação de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (FSRU) em Inhassoro e no Porto da Beira, além da construção de um gasoduto de aproximadamente 140 quilómetros.

A nova ligação deverá integrar estas infra-estruturas no sistema de transporte de gás operado pela ROMPCO, que constitui a principal ligação entre Moçambique e o complexo industrial de Secunda, na África do Sul.

O investimento surge numa fase de transformação das perspectivas energéticas da África Austral, marcada pela necessidade de assegurar fontes alternativas de gás natural para a indústria sul-africana e pelo desenvolvimento dos grandes empreendimentos de GNL na Bacia do Rovuma.

Para a ENH, o projecto integra uma estratégia de valorização da localização geográfica, dos recursos energéticos e das infra-estruturas existentes, numa tentativa de ampliar a participação de Moçambique no abastecimento energético regional.

Investimento de US$ 250 Milhões Abre Nova Frente de Infra-Estruturas de Gás

O novo empreendimento prevê a utilização de unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação, conhecidas internacionalmente pela sigla FSRU (Floating Storage and Regasification Unit).

Estas instalações permitem receber gás natural liquefeito transportado por navios, armazená-lo temporariamente e convertê-lo novamente ao estado gasoso, para posterior distribuição através de gasodutos.

A tecnologia representa uma alternativa à construção de terminais convencionais de regaseificação em terra, podendo proporcionar maior flexibilidade operacional e, em determinadas circunstâncias, menores prazos de implementação.

A localização prevista para as instalações — Inhassoro e Porto da Beira — poderá permitir uma articulação entre infra-estruturas energéticas nacionais, instalações portuárias e redes de distribuição regional.

O gasoduto adicional de 140 quilómetros constitui uma componente essencial do projecto, ao estabelecer a ligação com a rede ROMPCO, utilizada para transportar gás natural proveniente de Moçambique até à África do Sul.

A Reuters indica que a ENH integra um grupo de empresas estatais ao qual foi atribuída, em 2025, uma concessão exclusiva de 30 anos para construir e operar instalações de gás natural.

A concessão cria um enquadramento de longo prazo para o desenvolvimento de infra-estruturas, embora a execução do novo investimento continue associada à conclusão das negociações com potenciais parceiros e à definição das condições comerciais e financeiras.

Até ao momento, não foi anunciado um compromisso definitivo de investimento por parte da Sasol ou da ROMPCO.

Declínio de Pande e Temane Acelera Necessidade de Alternativas Energéticas

A procura de novas soluções de abastecimento está particularmente relacionada com as perspectivas de evolução da produção de gás nos campos de Pande e Temane, explorados pela Sasol.

Estas reservas têm sustentado uma parte importante do fornecimento de gás natural à África do Sul, abastecendo operações industriais, incluindo o complexo de Secunda.

Contudo, a Reuters assinala que a produção destes campos deverá diminuir substancialmente nos próximos anos, colocando a necessidade de identificar fontes alternativas de fornecimento.

A substituição progressiva do gás actualmente produzido constitui uma questão estratégica para a indústria sul-africana, cuja actividade depende da disponibilidade de energia a custos competitivos.

Uma interrupção significativa no abastecimento poderia afectar operações industriais, aumentar os custos energéticos e acelerar a necessidade de soluções alternativas de fornecimento.

Neste contexto, a utilização de instalações de regaseificação em Moçambique poderá contribuir para diversificar as fontes de gás disponíveis para a região, mediante condições comerciais e infra-estruturais adequadas.

A Sasol confirmou estar a avaliar fontes alternativas de abastecimento, mas considerou prematuro antecipar a natureza ou dimensão de quaisquer investimentos associados ao novo projecto.

Esta posição evidencia que as negociações permanecem numa fase de avaliação e que a participação financeira dos potenciais parceiros ainda não se encontra formalmente definida.

Bacia do Rovuma Amplia Perspectivas de Integração Energética Regional

A ENH pretende que as novas infra-estruturas estejam concluídas até 2030 ou 2031, procurando estabelecer uma articulação temporal com a entrada em funcionamento dos grandes projectos de gás natural liquefeito da Bacia do Rovuma.

Entre os empreendimentos mencionados encontram-se o Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, o Rovuma LNG, associado à ExxonMobil, e o Coral Norte, desenvolvido pela Eni e seus parceiros.

Estes projectos representam investimentos de grande dimensão na exploração e liquefacção de gás natural, com produção predominantemente orientada para os mercados internacionais.

O desenvolvimento paralelo de instalações de regaseificação e transporte regional poderá criar oportunidades de utilização do gás no mercado doméstico e nos países vizinhos.

Existe, contudo, uma distinção importante entre a disponibilidade de gás na Bacia do Rovuma e a sua efectiva integração nas redes de distribuição da região.

A ligação comercial e física entre os grandes projectos de produção, as unidades de regaseificação e os mercados consumidores exigirá soluções específicas de fornecimento, transporte, contratação e financiamento.

A coincidência dos calendários de implementação não significa, por si só, que o gás dos projectos do Rovuma esteja automaticamente disponível para abastecer as novas infra-estruturas.

A concretização dessa possibilidade pressupõe acordos de fornecimento e uma estrutura logística capaz de assegurar o fluxo de gás entre a produção e os consumidores.

Reserva de 25% Para o Mercado Interno Introduz Nova Dimensão Económica

Um dos aspectos com maior relevância estratégica nas declarações da ENH diz respeito ao aproveitamento doméstico dos recursos energéticos.

De acordo com a Reuters, alterações à legislação petrolífera em vigor desde Junho de 2026 passaram a exigir a afectação de pelo menos 25% da produção de gás e petróleo ao mercado interno, incluindo expressamente o gás natural liquefeito.

Esta disposição, conforme reportada, poderá ampliar as oportunidades de utilização dos recursos energéticos nacionais para abastecimento industrial, produção de electricidade e desenvolvimento de outras actividades económicas.

A sua importância reside na possibilidade de estabelecer uma relação mais directa entre a exploração de recursos naturais e as necessidades energéticas da economia.

A disponibilidade de gás a condições competitivas pode favorecer o desenvolvimento de sectores industriais intensivos em energia, incluindo fertilizantes, produtos químicos, processamento agro-industrial e outras actividades de transformação.

Contudo, a existência de uma obrigação legal de afectação ao mercado interno não assegura automaticamente a disponibilidade física e comercial de gás para todos os consumidores.

A operacionalização desta orientação exige infra-estruturas de transporte e distribuição, mecanismos de comercialização, definição de preços e capacidade efectiva de absorção pelo mercado.

Será igualmente importante clarificar a aplicação concreta da disposição legal aos diferentes projectos e contratos, incluindo os eventuais regimes transitórios e compromissos comerciais existentes.

A articulação entre exportação e consumo doméstico constitui, assim, uma componente central da estratégia de valorização económica do gás natural.

Infra-Estruturas Podem Dinamizar Indústria, Logística e Mercado Regional

A instalação das novas unidades em Inhassoro e na Beira apresenta potencial para estimular actividades económicas complementares à indústria do gás.

A fase de construção poderá gerar procura de serviços de engenharia, obras civis, transporte, fornecimento de equipamentos e apoio logístico.

Durante a operação, as instalações poderão criar oportunidades nas áreas de manutenção industrial, serviços técnicos, gestão portuária e transporte energético.

O impacto económico efectivo dependerá da escala da actividade, dos acordos de fornecimento e do grau de participação das empresas nacionais na cadeia de valor do projecto.

A localização da Beira representa uma vantagem logística pela existência de infra-estruturas portuárias e ligações de transporte que servem parte importante da região Centro e países do interior da África Austral.

A integração das instalações energéticas com estas infra-estruturas poderá contribuir para o desenvolvimento de novas actividades industriais, desde que existam condições de acesso ao gás, investimento produtivo e procura comercial suficiente.

No plano regional, o novo gasoduto reforçaria a ligação entre a rede energética moçambicana e o sistema de abastecimento sul-africano, criando possibilidades de maior integração dos mercados de gás.

Esta evolução poderá assumir particular importância numa região onde a disponibilidade de energia constitui um dos principais factores condicionantes da actividade industrial e do investimento.

Moçambique Perspectiva Posicionamento Como Plataforma Energética da África Austral

A estratégia apresentada pela ENH reflecte uma ambição mais ampla de posicionar Moçambique como um centro de produção, transformação, transporte e distribuição de energia na África Austral.

Rudêncio Morais afirmou à Reuters que o país poderá tornar-se um centro energético regional, aproveitando os seus recursos naturais e a crescente necessidade de abastecimento dos mercados vizinhos.

A concretização desta perspectiva está associada à capacidade de desenvolver infra-estruturas interligadas, estabelecer acordos comerciais competitivos e assegurar que os investimentos previstos avancem dentro de calendários financeiramente e tecnicamente viáveis.

O projecto de US$ 250 milhões constitui uma componente potencial dessa estratégia, ao combinar instalações de regaseificação, transporte por gasoduto e acesso a mercados industriais já existentes.

A dimensão regional do investimento é particularmente relevante, considerando a procura de alternativas de fornecimento de gás por parte da África do Sul e as perspectivas de expansão da produção moçambicana de GNL.

O desenvolvimento destas infra-estruturas poderá contribuir para ampliar o papel económico do gás natural, associando receitas de exportação à actividade logística, industrial e de distribuição energética.

A passagem da fase negocial para a decisão efectiva de investimento será, entretanto, determinante para avaliar o calendário, a estrutura financeira, os parceiros envolvidos e o impacto económico esperado.

Com conclusão prevista para 2030 ou 2031, o projecto apresenta-se como uma oportunidade de consolidar a integração energética regional e criar novas ligações entre os recursos naturais de Moçambique e a procura industrial da África Austral.

A dimensão estratégica desta iniciativa reside na possibilidade de converter a disponibilidade de gás em infra-estruturas, capacidade de abastecimento, investimento produtivo e novas actividades económicas, contribuindo para uma participação mais significativa do país nas cadeias energéticas regionais.

 

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