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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026
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TotalEnergies Junta Mopane E Venus Num Novo Eixo Petrolífero Da Namíbia

O
Redacção
9 Set 2026 · 11h16
9 Set 2026 · 18h26
8 minutos
1.322

  • Grupo francês assume a operação da descoberta Mopane através de uma troca de participações com a Galp e passa a controlar os dois maiores activos petrolíferos identificados no offshore namibiano. A transacção prepara sinergias entre blocos vizinhos, reduz a exposição financeira da empresa portuguesa e aproxima o país da fase de desenvolvimento comercial.
Questões-Chave:
  • TotalEnergies adquiriu 40% da licença PEL 83 e assumiu a operação do complexo Mopane;
  • Galp manteve 40% de Mopane e recebeu participações nas licenças PEL 56 e PEL 91, operadas pela TotalEnergies;
  • Galp passa a deter 10% do projecto Venus e 9,39% da licença adjacente PEL 91;
  • TotalEnergies financiará 50% dos investimentos da Galp no primeiro desenvolvimento de Mopane;
  • Nova campanha de exploração e avaliação de Mopane deverá começar no quarto trimestre de 2026;
  • Venus poderá ser desenvolvido através de uma unidade flutuante com capacidade para cerca de 160 mil barris por dia;

Transacção Concluída Depois Das Aprovações Regulatórias

A TotalEnergies concluiu a transacção com a Galp que lhe confere 40% da licença PEL 83 e a posição de operadora do complexo petrolífero e de gás Mopane, ao largo da Namíbia.

O acordo, inicialmente anunciado em Dezembro de 2025, foi finalizado depois da obtenção das aprovações do Governo namibiano, das autoridades reguladoras e dos restantes parceiros das concessões.

Em contrapartida, a Galp recebeu da TotalEnergies uma participação de 10% na licença PEL 56, onde se encontra a descoberta Venus, e 9,39% na licença PEL 91, situada na mesma zona da Bacia do Orange.

Com a conclusão da operação, a TotalEnergies passa a controlar operacionalmente os dois maiores activos descobertos até agora no offshore namibiano: Venus, identificado em 2022, e Mopane, descoberto pela Galp no final de 2023.

A transacção representa mais do que uma troca de participações. Coloca a avaliação, concepção técnica e eventual desenvolvimento de dois grandes complexos petrolíferos vizinhos sob uma única operadora internacional, criando condições para a formação de um novo pólo de produção no Atlântico Sul africano.

Galp Mantém Exposição A Mopane E Entra Em Venus

Na licença PEL 83, que abrange os blocos 2813A e 2814B e onde se encontra Mopane, a TotalEnergies passou a deter 40% e a Galp conservou outros 40%. A companhia estatal NAMCOR e a Custos Energy mantêm 10% cada.

Antes da transacção, a Galp controlava 80% da licença e acumulava as funções de principal investidora e operadora. A entrada da TotalEnergies reduz essa concentração de capital e transfere a condução técnica para uma empresa com ampla experiência na execução de projectos em águas profundas.

Na PEL 56, onde está localizada Venus, a TotalEnergies conserva 35,25% e a posição de operadora. A QatarEnergy detém uma participação equivalente, enquanto a Galp passa a controlar 10%, a NAMCOR outros 10% e a Impact Oil and Gas 9,5%.

Na licença PEL 91, a TotalEnergies fica com 33,085%, a QatarEnergy com 33,025%, a NAMCOR com 15%, a Impact com 9,5% e a Galp com 9,39%.

As três licenças são geograficamente próximas. Esta proximidade poderá permitir a partilha de conhecimento geológico, equipamentos, bases logísticas, serviços marítimos, sistemas submarinos e, eventualmente, algumas infra-estruturas de produção e escoamento.

TotalEnergies Financia Metade Da Parcela Da Galp

Um dos elementos centrais do acordo é o mecanismo de financiamento associado ao primeiro desenvolvimento de Mopane.

Segundo a Galp, a TotalEnergies suportará 50% dos investimentos correspondentes à participação da empresa portuguesa nas actividades de exploração, avaliação e desenvolvimento inicial do complexo.

O montante financiado não representa uma transferência sem contrapartida. Após o início da produção comercial, a Galp deverá reembolsar a TotalEnergies através de 50% dos fluxos de caixa que lhe couberem no projecto, até à liquidação do valor acordado.

Esta estrutura permite à Galp manter uma participação económica relevante num activo de grande dimensão, reduzindo simultaneamente as necessidades imediatas de capital e o risco associado à fase de avaliação.

Para a TotalEnergies, o financiamento adicional é compensado pela entrada num recurso de elevado potencial, pela posição de operadora e pela possibilidade de coordenar Mopane com os seus restantes activos na Bacia do Orange.

Mopane Mantém Potencial Mas Exige Mais Avaliação

A Galp anunciou a descoberta de Mopane depois da perfuração do poço Mopane-1X, iniciada em Dezembro de 2023. Os trabalhos subsequentes identificaram petróleo leve e condensado de gás em reservatórios descritos como tendo boa porosidade, elevada permeabilidade, baixa viscosidade e reduzidas concentrações de dióxido de carbono.

Em Abril de 2024, a companhia portuguesa estimou que o complexo poderia conter pelo menos 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo in situ. Este valor representa o volume total estimado no subsolo e não deve ser confundido com reservas comercialmente recuperáveis.

A proporção que poderá ser efectivamente extraída dependerá da continuidade e qualidade dos reservatórios, da tecnologia utilizada, dos custos de desenvolvimento, da produtividade dos poços e das condições fiscais e comerciais negociadas com o Governo.

A Galp perfurou cinco poços de exploração e avaliação na área de Mopane entre Dezembro de 2023 e Fevereiro de 2025. O poço Mopane-3X, localizado cerca de 18 quilómetros a sudeste da descoberta inicial, encontrou petróleo leve e condensado de gás numa nova área do complexo.

Os resultados ampliaram a extensão geográfica da descoberta, mas também demonstraram a necessidade de novos poços para determinar a distribuição dos recursos e seleccionar as zonas prioritárias para o primeiro desenvolvimento.

Nova Campanha Arranca No Quarto Trimestre

A TotalEnergies, a Galp e os restantes parceiros comprometeram-se a perfurar pelo menos três novos poços de exploração e avaliação em Mopane ao longo dos próximos dois anos.

A primeira perfuração da nova campanha está prevista para o quarto trimestre de 2026. Os trabalhos deverão contribuir para reduzir a incerteza geológica, testar novas estruturas e obter os dados necessários para definir o conceito técnico do projecto.

A transferência da operação ocorre, assim, antes da fase mais intensiva de avaliação e desenvolvimento. A experiência da TotalEnergies em projectos de águas profundas deverá ser determinante para seleccionar a configuração de produção, estimar os custos e preparar uma futura decisão final de investimento.

Mopane encontra-se numa fase menos avançada do que Venus. A prioridade imediata será converter o elevado volume identificado no subsolo em recursos tecnicamente recuperáveis e economicamente viáveis.

Venus Aproxima-Se Da Decisão De Investimento

Descoberta pela TotalEnergies em 2022, Venus está localizada na licença PEL 56 e constitui o projecto petrolífero mais avançado da Namíbia.

A empresa tem trabalhado num conceito de desenvolvimento baseado numa unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência, conhecida pela sigla FPSO, com capacidade estimada em cerca de 160 mil barris de petróleo por dia.

Segundo a apresentação da parceria divulgada pela Galp, os promotores pretendem alcançar a decisão final de investimento em 2026, mantendo como referência a possibilidade de iniciar a produção até 2030.

A entrada da Galp proporciona à empresa portuguesa exposição a um activo mais próximo da fase de desenvolvimento, antecipando potenciais fluxos de caixa relativamente a Mopane.

Para a TotalEnergies, a presença simultânea em Venus, Mopane e PEL 91 permite organizar o portefólio namibiano como um conjunto integrado de oportunidades, em vez de projectos isolados.

Formação De Um Centro Petrolífero Em Águas Profundas

A concentração da operação dos principais activos nas mãos da TotalEnergies abre a possibilidade de desenvolver um centro de produção com várias unidades e infra-estruturas partilhadas.

Na indústria petrolífera, a coordenação de descobertas próximas pode reduzir os custos unitários de desenvolvimento, melhorar a utilização dos equipamentos e tornar comercialmente viáveis recursos que, individualmente, teriam menor escala.

As sinergias poderão abranger campanhas de perfuração, logística marítima, contratação de plataformas, serviços de apoio, sistemas submarinos, armazenagem e exportação. A sua concretização dependerá, contudo, da configuração dos reservatórios, das distâncias entre os campos e da compatibilidade dos calendários.

A parceria também altera a distribuição do risco. A TotalEnergies assume maior exposição financeira e operacional, enquanto a Galp diversifica a sua posição entre um activo avançado, Venus, e outro com maior potencial exploratório, Mopane.

Namíbia Aproxima-Se Da Condição De Produtor

A Namíbia ainda não produz petróleo, apesar das sucessivas descobertas realizadas desde 2022. A passagem da exploração para a produção exige decisões de investimento de vários milhares de milhões de dólares, construção de infra-estruturas e definição de acordos fiscais e comerciais de longo prazo.

A conclusão da transacção entre a TotalEnergies e a Galp é relevante porque consolida a estrutura accionista e operacional de dois projectos considerados essenciais para a entrada do país no grupo dos produtores africanos.

O início da produção poderá gerar receitas fiscais, exportações, procura por serviços logísticos e marítimos, emprego especializado e oportunidades para fornecedores locais. Poderá igualmente modificar a balança externa e a capacidade de investimento público do país.

Os benefícios não são, porém, automáticos. A dimensão do impacto dependerá da participação efectiva das empresas namibianas, da formação de trabalhadores, da gestão das receitas e da capacidade de evitar uma economia excessivamente concentrada no petróleo.

Bacia Do Orange Atrai Grandes Operadores

A Bacia do Orange, que se estende pelas águas da Namíbia e da África do Sul, tornou-se uma das áreas mais disputadas da exploração mundial em águas profundas.

Além da TotalEnergies e da Galp, a região atraiu grupos como QatarEnergy, Shell, Chevron, Azule Energy e a portuguesa Meren Energy, anteriormente designada Africa Oil.

O interesse decorre da combinação entre descobertas de petróleo leve, qualidade dos reservatórios e possibilidade de encontrar acumulações de grande escala numa região ainda pouco explorada.

A conclusão do acordo Mopane–Venus assinala uma nova fase: depois do ciclo de descobertas, a atenção desloca-se para a avaliação comercial, a redução de custos e as decisões finais de investimento.

Ao que se depreende se Venus avançar para desenvolvimento e Mopane confirmar volumes recuperáveis compatíveis com as estimativas iniciais, a TotalEnergies poderá transformar-se na principal arquitecta da indústria petrolífera namibiana. A Namíbia, por sua vez, fica com o desafio e, simultaneamente, oportunidade, de converter esse novo poder energético numa cadeia de valor capaz de produzir receitas, competências, empresas locais e desenvolvimento económico duradouro.

O
Redacção

Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

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1 comentário

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