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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026
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Porto De Maputo Investe US$ 13,2 Milhões Na Renovação Dos Guindastes

O
Redacção
2 Set 2026 · 19h23
4 Set 2026 · 15h18
9 minutos
335
  • Aquisição de dois equipamentos Liebherr LHM 550 eleva provisoriamente a frota móvel para oito unidades, mas o principal efeito económico decorrerá da substituição dos activos mais antigos, maior disponibilidade operacional e redução do tempo de atendimento aos navios
Questões-Chave:
  • MPDC investiu US$ 13,2 milhões na aquisição de dois guindastes móveis portuários;
  • Cada equipamento representa um investimento médio de aproximadamente US$ 6,6 milhões;
  • Novos guindastes Liebherr LHM 550 destinam-se ao manuseamento de carga geral e granéis;
  • Frota de guindastes móveis da concessionária passa a integrar oito unidades;
  • Equipamentos substituirão progressivamente os guindastes 1 e 2, os mais antigos em operação;
  • Investimento deverá melhorar produtividade, fiabilidade e tempo de atendimento aos navios;
  • Porto de Maputo projecta movimentar 42 milhões de toneladas em 2033 e 54 milhões em 2043;

A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo vai inaugurar, esta quinta-feira, 3 de Setembro, dois novos guindastes móveis portuários Liebherr LHM 550, adquiridos por US$ 13,2 milhões para renovar a frota utilizada no manuseamento de carga geral e granéis.

A cerimónia, que decorrerá no Cais 7, será dirigida pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, e contará com a participação dos accionistas da MPDC, representantes da Liebherr Africa e membros da comunidade portuária.

Com a entrada dos dois equipamentos, a frota de guindastes móveis da concessionária passa a integrar oito unidades. O investimento médio corresponde a aproximadamente US$ 6,6 milhões por guindaste.

O efeito principal da aquisição, porém, não reside apenas no aumento numérico da frota. Os novos equipamentos destinam-se à substituição progressiva dos guindastes 1 e 2, os mais antigos actualmente em operação.

Trata-se, por isso, de um investimento de renovação e modernização dos activos, orientado para reduzir indisponibilidades, melhorar a produtividade e assegurar maior previsibilidade no atendimento aos navios e clientes.

Renovação Evita Perda De Capacidade

Os guindastes móveis constituem equipamentos centrais nas operações portuárias de carga geral e granéis. A sua disponibilidade influencia directamente a velocidade com que os navios são carregados ou descarregados.

Equipamentos antigos tendem a exigir intervenções de manutenção mais frequentes, apresentar períodos superiores de imobilização e aumentar a necessidade de peças de substituição.

Quando um guindaste fica indisponível, a operação pode necessitar de transferir recursos entre cais, prolongar a permanência do navio ou utilizar equipamentos com produtividade inferior à programada.

A substituição das unidades mais antigas permite reduzir este risco e estabilizar a capacidade efectiva do porto.

A capacidade nominal corresponde ao número e especificações dos equipamentos disponíveis. A capacidade efectiva depende do tempo durante o qual cada unidade permanece operacional e pode ser utilizada com segurança.

Deste modo, mesmo que a retirada futura dos guindastes 1 e 2 faça regressar o número líquido de unidades ao nível anterior, a frota renovada poderá movimentar mais carga por hora e apresentar menos interrupções.

Equipamentos Elevam Produtividade No Cais

Os Liebherr LHM 550 são guindastes móveis concebidos para diferentes operações portuárias, incluindo carga geral, contentores, granéis e mercadorias de elevada densidade.

Segundo informações técnicas anteriormente divulgadas pela Liebherr e pela MPDC sobre equipamentos do mesmo modelo, cada unidade pode alcançar uma capacidade máxima de elevação de 144 toneladas, dependendo da configuração, distância e modalidade da operação.

A mobilidade permite deslocar os guindastes entre diferentes posições do cais e ajustar a utilização ao tipo de navio e mercadoria.

No Porto de Maputo, estes equipamentos possuem particular importância no manuseamento de granéis minerais, ferrocrómio, carga geral e outras mercadorias ligadas às exportações moçambicanas e dos países da região.

Maior velocidade de movimentação pode reduzir o tempo de permanência dos navios no porto. Este indicador é relevante porque atrasos nos cais aumentam os custos suportados pelos armadores, terminais e proprietários das mercadorias.

A produtividade dos guindastes não depende apenas da capacidade mecânica. Requer igualmente operadores treinados, manutenção preventiva, disponibilidade de peças, organização das equipas, condições adequadas no cais e coordenação com camiões, vagões e áreas de armazenamento.

Frota Foi Ampliada Em Ciclos Sucessivos

A relação entre o Porto de Maputo e a Liebherr desenvolveu-se através de diferentes ciclos de investimento.

A MPDC adquiriu duas unidades LHM 550 em 2015 e recebeu mais duas em 2019, depois de avaliar a produtividade dos primeiros equipamentos. Em 2023, a concessionária inaugurou outras duas unidades do mesmo modelo, elevando a frota disponível.

A aquisição agora concluída leva a oito o número de guindastes móveis associados às operações da MPDC, antes da retirada progressiva dos dois activos mais antigos.

A padronização em torno do mesmo fabricante e modelo pode produzir vantagens na formação dos operadores, manutenção, gestão de peças e familiaridade técnica das equipas.

Esta continuidade também reduz parte da complexidade que resultaria da utilização de uma frota composta por equipamentos com tecnologias, componentes e procedimentos muito diferentes.

A eficiência dependerá, contudo, das condições do contrato de assistência técnica, capacidade das equipas locais e existência de peças disponíveis para responder rapidamente a avarias.

Investimento Integra Expansão Mais Ampla

A compra dos guindastes ocorre num período de expansão das infra-estruturas e capacidade do Porto de Maputo.

O plano director da MPDC projecta que os volumes movimentados aumentem para 42 milhões de toneladas por ano em 2033 e 54 milhões em 2043.

A extensão da concessão até 2058 está associada a novos compromissos de investimento em cais, terminais, acessos, equipamentos e restantes componentes da operação portuária.

O Governo aprovou um programa que prevê aproximadamente US$ 600 milhões em investimentos nos primeiros três anos da nova etapa da concessão. Até 2033, os compromissos associados ao desenvolvimento do porto aproximam-se de US$ 1,1 mil milhões.

Entre as principais intervenções encontram-se a expansão do terminal de contentores, aumento da capacidade de armazenagem e manuseamento, aprofundamento das águas e melhoria das condições para receber navios de maior dimensão.

Os novos guindastes constituem uma parcela relativamente reduzida do investimento total, mas afectam directamente a produtividade quotidiana dos cais.

Infra-estruturas ampliadas sem equipamentos suficientes podem transferir o congestionamento para a operação. Da mesma forma, guindastes modernos terão alcance limitado se os cais, acessos ferroviários, parques e sistemas de circulação não acompanharem o crescimento da carga.

Corredor Disputa Cargas Regionais

O Porto de Maputo serve a economia moçambicana, mas parte significativa da sua actividade depende das cargas geradas nos países do interior da África Austral.

A proximidade das regiões industriais e mineiras da África do Sul, Eswatini e Zimbabwe oferece ao porto uma base regional de procura.

Maputo compete com portos sul-africanos e outros sistemas logísticos da região pela movimentação de minerais, produtos agrícolas, contentores e carga geral.

Nesta competição, o preço constitui apenas um dos factores considerados pelos clientes. O tempo necessário para a operação, disponibilidade dos equipamentos, profundidade do canal, regularidade ferroviária, congestionamento rodoviário e previsibilidade dos procedimentos também influenciam a escolha do corredor.

A aquisição de guindastes mais fiáveis pode melhorar a posição do porto nos indicadores que dependem directamente da operação no cais.

O benefício poderá ser maior se a redução do tempo de atendimento for acompanhada por melhorias na ferrovia, gestão dos camiões, fronteiras e plataformas digitais de processamento da carga.

Menor Permanência Pode Reduzir Custos Logísticos

O tempo de permanência dos navios representa um dos principais custos da operação marítima.

Quando a descarga ou o carregamento ultrapassam o período contratualmente estabelecido, podem ser aplicadas taxas adicionais. Mesmo quando estas penalizações não ocorrem, períodos prolongados reduzem a produtividade dos navios e a capacidade do cais para receber novas escalas.

Guindastes mais rápidos e disponíveis permitem movimentar maior volume durante cada turno, desde que existam equipas, transportes e áreas de armazenamento preparados para acompanhar o ritmo.

Para os clientes, a melhoria pode traduzir-se em maior previsibilidade da cadeia de abastecimento. Para a MPDC, permite aumentar o número de toneladas movimentadas com a mesma infra-estrutura de cais ou adiar a formação de novos constrangimentos.

O impacto de produtividade deverá ser medido através de indicadores como toneladas movimentadas por hora, disponibilidade mecânica, duração média das operações, tempo de permanência dos navios e custos de manutenção em suma, pela mudança efectiva no desempenho.

Formação E Manutenção Determinarão Retorno

A aquisição de tecnologia portuária exige investimento complementar no capital humano.

Operadores precisam de formação para utilizar os equipamentos com produtividade e segurança. Técnicos de manutenção necessitam de dominar os sistemas hidráulicos, eléctricos, electrónicos e digitais incorporados nos guindastes.

A Liebherr tem associado anteriores fornecimentos ao Porto de Maputo a programas de formação de operadores e técnicos, assim como a contratos de assistência destinados a melhorar a disponibilidade dos equipamentos.

A continuidade desse modelo será importante para assegurar que os novos guindastes entrem rapidamente em operação e mantenham níveis elevados de desempenho.

O retorno económico dos US$ 13,2 milhões dependerá da quantidade adicional de carga movimentada, redução das avarias, menor custo de manutenção das unidades antigas e capacidade para atrair ou conservar clientes.

Renovação Prepara Porto Para Novos Volumes

A entrada dos dois guindastes não representa, isoladamente, uma transformação da capacidade do Porto de Maputo. Constitui, porém, uma intervenção importante para evitar que o envelhecimento dos activos limite os investimentos realizados nos cais e terminais.

Ao substituir as unidades mais antigas, a MPDC procura melhorar a fiabilidade operacional e preparar a frota para o crescimento previsto no plano director que, entre outros aspectos, preconiza  reduzir interrupções, acelerar as operações e melhorar o atendimento aos navios.

Num mercado regional em que os portos disputam as mesmas cargas, a disponibilidade de equipamentos deixou de constituir uma vantagem adicional. Passou a ser uma condição básica para competir em produtividade, preço e previsibilidade.

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1 comentário

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