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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026
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Moçambique Defende Investimentos Estratégicos Para Transformar Sistemas Agroalimentares e Mobilizar Financiamento

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Redacção
20 Out 2026 · 17h41
13 minutos
69
  • `Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, defende em Roma uma nova abordagem à mobilização de recursos, baseada em prioridades de investimento, cadeias de valor, evidências económicas e resultados mensuráveis. Governo anuncia conclusão de uma estratégia decenal para o sector agrário, num contexto em que a produtividade, o acesso ao financiamento e a transformação agro-industrial permanecem determinantes para o crescimento económico.
QUESTÕES-CHAVE
  • Moçambique concluiu a elaboração de uma nova Estratégia de Desenvolvimento do Sector Agrário, com horizonte de dez anos e apoio técnico da FAO e de outros parceiros;
  • Governo defende prioridades claras de investimento, identificando territórios, cadeias de valor, condições de financiamento e resultados económicos esperados;
  • Instituições multilaterais e bancos de desenvolvimento ganham relevância na mobilização de recursos para a agricultura e a transformação dos sistemas agroalimentares;
  • Iniciativa Hand-in-Hand da FAO integra dados geoespaciais, agrícolas e socioeconómicos, permitindo orientar o investimento para territórios e actividades com maior potencial;
  • Fórum de Investimentos reúne 38 países e cinco iniciativas regionais, promovendo parcerias entre governos, instituições financeiras, investidores e operadores privados.

A transformação dos sistemas agroalimentares de Moçambique exige uma abordagem mais selectiva e estruturada à mobilização de financiamento, assente na identificação de prioridades de investimento, cadeias de valor com maior potencial económico e resultados concretos para a produção, a produtividade e o desenvolvimento rural.

Esta orientação foi defendida pelo ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, durante a sua participação, a 13 de Outubro, num painel de alto nível do Fórum de Investimentos da Iniciativa Hand-in-Hand, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, Itália.

Na intervenção, subordinada ao tema “Aprendendo com Experiências Regionais para a Transformação Global”, o governante destacou a necessidade de alterar a forma como o país apresenta as suas necessidades de financiamento aos parceiros internacionais, privilegiando propostas de investimento estruturadas e economicamente fundamentadas.

“Isto significa que devemos nos apresentar aos parceiros de financiamento não apenas com uma lista de necessidades gerais de desenvolvimento, mas também com prioridades de investimento claras: onde investir, em que cadeias de valor, em que condições e com que resultados económicos e de desenvolvimento esperados”, afirmou Roberto Albino.

A posição reflecte uma questão central para o desenvolvimento da agricultura moçambicana: a disponibilidade de recursos financeiros, embora essencial, precisa de ser acompanhada por mecanismos de identificação, selecção e execução de investimentos capazes de gerar ganhos sustentados de produtividade, rendimento e competitividade.

O posicionamento surge num momento em que instituições financeiras multilaterais e bancos de desenvolvimento assumem crescente importância no financiamento da transformação agrícola, particularmente em economias que enfrentam limitações de recursos públicos e dificuldades de acesso a capital de longo prazo.

Financiamento Agrícola Exige Projectos Estruturados e Resultados Mensuráveis

A mobilização de financiamento para o sector agrário constitui uma das principais prioridades do Governo, atendendo ao papel da agricultura na produção alimentar, no emprego, nos rendimentos rurais e na dinamização de outras actividades económicas.

Contudo, o acesso a financiamento adequado permanece condicionado por factores como o risco climático, a fragmentação da produção, a limitada disponibilidade de garantias, os custos logísticos e as dificuldades de integração dos produtores nos mercados formais.

Neste contexto, a orientação defendida por Roberto Albino representa uma mudança importante na abordagem à captação de recursos, ao privilegiar investimentos concebidos a partir de oportunidades económicas concretas.

Segundo o ministro, a transformação do panorama de financiamento agrícola exige que Moçambique identifique as áreas estratégicas, as cadeias de valor prioritárias e as condições necessárias à implementação dos projectos, demonstrando aos potenciais financiadores os resultados económicos e de desenvolvimento que poderão ser alcançados.

Esta perspectiva aproxima a política agrícola de uma lógica de investimento baseada na viabilidade económica, na gestão dos riscos e na avaliação de resultados.

A definição de projectos estruturados permite melhorar a qualidade das decisões de financiamento, ao identificar antecipadamente os custos, os beneficiários, as infra-estruturas necessárias, os mercados potenciais e os impactos esperados.

Do ponto de vista financeiro, esta abordagem pode também contribuir para reduzir a percepção de risco dos investidores, particularmente quando os projectos são acompanhados por informação credível, mecanismos de acompanhamento e instrumentos adequados de mitigação de riscos.

A transformação agrícola exige, entretanto, diferentes modalidades de financiamento, incluindo crédito comercial, recursos concessionais, garantias, seguros agrícolas e investimento de capital, ajustados às características dos produtores e das actividades económicas.

Nova Estratégia Agrária Estabelece Horizonte de Dez Anos

Um dos anúncios mais relevantes da intervenção do ministro foi a conclusão da elaboração da nova Estratégia de Desenvolvimento do Sector Agrário, concebida para um horizonte de dez anos.

Segundo Roberto Albino, o documento foi desenvolvido com apoio técnico da FAO e de outros parceiros, constituindo um instrumento de orientação das prioridades nacionais de desenvolvimento agrícola.

A conclusão da elaboração representa uma etapa importante, embora o documento divulgado não especifique o calendário de aprovação formal, o montante de financiamento necessário ou as metas quantitativas da estratégia.

A relevância económica de um instrumento decenal reside na possibilidade de conferir maior continuidade às políticas públicas e proporcionar previsibilidade aos investidores e operadores das cadeias agroalimentares.

Os investimentos agrícolas e agro-industriais exigem frequentemente períodos prolongados de maturação, particularmente quando envolvem infra-estruturas de irrigação, armazenamento, processamento, logística e desenvolvimento tecnológico.

A existência de prioridades estáveis pode facilitar a articulação entre investimento público e privado, promovendo complementaridades entre infra-estruturas, produção, transformação e comercialização.

O impacto efectivo da nova estratégia estará associado à capacidade de traduzir as orientações definidas em programas executáveis, com financiamento identificado, responsabilidades institucionais e indicadores de acompanhamento.

Dados Geoespaciais Podem Melhorar Alocação dos Investimentos Agrícolas

A iniciativa Hand-in-Hand da FAO constitui um dos instrumentos técnicos que poderão apoiar a implementação da nova estratégia.

A abordagem integra informação geoespacial, socioeconómica e agrícola para identificar territórios e cadeias de valor com maior potencial de desenvolvimento, permitindo orientar as decisões de investimento a partir de evidências.

Roberto Albino destacou precisamente esta capacidade de combinar diferentes fontes de informação, considerando-a relevante para transformar estratégias de desenvolvimento em oportunidades de investimento concretas.

O uso integrado de dados permite avaliar factores como aptidão agrícola, disponibilidade de recursos naturais, condições de acesso a mercados, características socioeconómicas dos produtores e necessidades de infra-estruturas.

Numa economia em que as condições produtivas variam significativamente entre regiões, a identificação territorial das oportunidades pode contribuir para melhorar a eficiência da afectação dos recursos.

Uma região com elevado potencial agrícola, mas limitada capacidade de armazenamento ou ligação aos mercados, poderá exigir investimentos prioritários em infra-estruturas e serviços, antes da expansão da produção.

Por outro lado, áreas com condições produtivas favoráveis e acesso relativamente eficiente aos mercados poderão apresentar oportunidades de investimento agro-industrial com maior capacidade de geração de valor acrescentado.

A utilização sistemática destes instrumentos pode contribuir para reduzir decisões de investimento fragmentadas e melhorar a coordenação entre políticas agrícolas, infra-estruturas, financiamento e desenvolvimento territorial.

Bancos de Desenvolvimento Ganham Relevância no Financiamento da Agricultura

A evolução das fontes de financiamento agrícola foi outro dos aspectos destacados pelo ministro durante a intervenção em Roma.

Roberto Albino assinalou que as instituições multilaterais e os bancos de desenvolvimento estão a assumir uma importância crescente enquanto parceiros na mobilização de recursos para a agricultura e a transformação dos sistemas agroalimentares.

Esta tendência reflecte a necessidade de combinar financiamento de longo prazo com assistência técnica, instrumentos de redução de riscos e capacidade de preparação de projectos.

A agricultura apresenta características que frequentemente dificultam o financiamento através de instrumentos comerciais convencionais, incluindo sazonalidade das receitas, exposição a acontecimentos climáticos e períodos prolongados de recuperação dos investimentos.

As instituições de financiamento do desenvolvimento podem desempenhar um papel relevante na criação de condições para atrair investimento privado, nomeadamente através de garantias, linhas de crédito, assistência técnica e mecanismos de financiamento misto.

O conceito de blended finance, ou financiamento misto, assenta precisamente na combinação de recursos públicos, concessionais e privados para viabilizar investimentos cujo perfil de risco ou prazo de recuperação dificulta a mobilização de capital exclusivamente comercial.

Contudo, a utilização destes mecanismos exige projectos tecnicamente consistentes e modelos financeiros capazes de demonstrar viabilidade económica.

A preparação de projectos financiáveis constitui, por isso, uma componente decisiva da agenda de transformação agrícola, particularmente num ambiente internacional marcado por concorrência crescente pelos recursos financeiros disponíveis.

Agro-Indústria e Cadeias de Valor Podem Ampliar Contributo da Agricultura Para a Economia

A transformação dos sistemas agroalimentares pressupõe uma maior articulação entre produção agrícola, processamento, armazenamento, transporte, distribuição e comercialização.

O desenvolvimento destas ligações permite ampliar o valor económico gerado a partir da produção primária, reduzindo perdas, melhorando a qualidade dos produtos e criando novas oportunidades empresariais.

Na perspectiva do desenvolvimento económico, a agro-indústria desempenha um papel relevante ao estabelecer relações produtivas entre a agricultura, a indústria transformadora e os serviços.

O investimento em unidades de processamento pode criar procura adicional de matérias-primas agrícolas, estimular a organização dos produtores e promover a adopção de padrões de qualidade.

Contudo, a viabilidade destas actividades depende da existência de fornecimento regular, escala produtiva adequada, energia, transporte e mercados capazes de absorver os produtos transformados.

Uma estratégia de desenvolvimento das cadeias de valor exige, por isso, que os investimentos sejam concebidos de forma integrada, evitando a criação de capacidade industrial sem correspondência na produção agrícola ou na procura comercial.

Esta perspectiva está alinhada com a orientação defendida pelo ministro de identificar cadeias de valor prioritárias e apresentar aos parceiros propostas de investimento fundamentadas nas condições e oportunidades económicas de cada território.

Produtividade Agrícola Continua a Ser Determinante Para o Crescimento Económico

A transformação dos sistemas agroalimentares está estreitamente relacionada com a necessidade de aumentar a produtividade agrícola e melhorar os rendimentos dos produtores.

O crescimento da produção pode resultar da expansão da área cultivada ou do aumento da produtividade por hectare. Contudo, a melhoria sustentada da produtividade constitui uma via importante para elevar a produção sem depender exclusivamente da expansão territorial.

Esta evolução exige acesso a sementes melhoradas, tecnologias apropriadas, irrigação, assistência técnica, mecanização adequada e infra-estruturas de apoio.

A produtividade depende igualmente da capacidade de reduzir perdas pós-colheita, melhorar a organização dos mercados e assegurar condições comerciais que proporcionem incentivos económicos aos produtores.

O desenvolvimento de mecanismos de financiamento ajustados às características da agricultura poderá contribuir para facilitar a adopção destas tecnologias e práticas produtivas.

O ministro destacou, neste contexto, a necessidade de promover instrumentos financeiros adaptados à realidade dos territórios e dos produtores nacionais.

A adequação das condições financeiras aos ciclos produtivos representa um aspecto importante, uma vez que prazos de reembolso, garantias e estruturas de custos incompatíveis com a actividade agrícola podem limitar o acesso efectivo ao crédito.

A articulação entre financiamento, tecnologia e acesso aos mercados apresenta, assim, potencial para ampliar a produtividade e fortalecer a integração dos produtores nas cadeias de valor.

Fórum da FAO Reúne 38 Países e Investidores Internacionais

A edição de 2026 do Fórum de Investimentos da Iniciativa Hand-in-Hand decorreu de 13 a 16 de Outubro, em Roma, integrada nas actividades do Fórum Mundial da Alimentação.

O encontro contou com a participação de 38 países membros e contemplou cinco iniciativas regionais de investimento agroalimentar.

A plataforma reuniu governos, instituições financeiras internacionais e regionais, bancos de desenvolvimento, empresas privadas, fundações, fundos de investimento, doadores e parceiros de desenvolvimento.

O objectivo consistiu em promover oportunidades de investimento e facilitar a construção de parcerias destinadas à transformação dos sistemas agroalimentares.

Ao longo do encontro, foram realizados contactos bilaterais e discussões sobre mecanismos de financiamento, riscos de investimento e oportunidades de desenvolvimento das cadeias produtivas.

A participação de Moçambique insere-se, assim, num esforço de aproximação aos parceiros financeiros e potenciais investidores, num contexto em que a qualidade das propostas e a capacidade de demonstrar resultados económicos assumem relevância crescente.

O reconhecimento, por parte de Roberto Albino, do apoio técnico da FAO evidencia também a importância da assistência especializada na preparação de projectos e na produção de conhecimento para orientar as decisões de investimento.

Estratégia de Investimento Pode Determinar Nova Etapa da Transformação Agrária

A intervenção de Moçambique no Fórum de Investimentos da FAO evidencia uma orientação centrada na necessidade de converter prioridades de desenvolvimento agrícola em oportunidades de investimento estruturadas e financeiramente sustentáveis.

A conclusão da nova Estratégia de Desenvolvimento do Sector Agrário, com horizonte de dez anos, representa um instrumento potencialmente relevante para assegurar maior coerência entre políticas públicas, necessidades territoriais e decisões de financiamento.

A abordagem Hand-in-Hand acrescenta uma componente técnica importante, permitindo utilizar dados geoespaciais e socioeconómicos para identificar oportunidades com maior potencial de transformação económica.

A eficácia deste processo poderá ser avaliada pela capacidade de mobilizar financiamento, executar investimentos, aumentar a produtividade, desenvolver actividades agro-industriais e ampliar os rendimentos dos produtores.

O avanço dependerá igualmente da articulação entre instituições públicas, parceiros de desenvolvimento, instituições financeiras e operadores privados, particularmente na preparação e implementação dos projectos.

A transformação dos sistemas agroalimentares constitui uma oportunidade para ampliar a contribuição da agricultura para o crescimento económico, fortalecer a segurança alimentar, diversificar a produção e desenvolver cadeias de valor com maior capacidade de geração de rendimento e emprego.

A principal mensagem transmitida por Roberto Albino em Roma aponta para uma abordagem de investimento orientada por prioridades claras, evidências económicas e resultados verificáveis, criando uma base para aproximar a estratégia agrícola das necessidades concretas de financiamento e transformação produtiva.

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Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

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