O influxo de viaturas segunda mão no mercado nacional, incidência tributária e/ou aduaneiras às viaturas 0 km, taxas de juros elevadas, e a actual conjuntura económica do País são apontados pelas empresas do ramo automóvel como os principais desafios deste ramos de actividade de venda de automóveis.

O gestor da delegação da Nissan MotorCare Victor Silva entrevistado pelo O.Económico, a propósito, considerou a actual conjuntura económica como sendo um dos desafios para o mercado de venda de automóveis 0 km no País. “ O automóvel é o segundo bem de aquisiçãomais valioso, ou importante atrás da casa, no entanto, para que as famílias possam adquirir este bem, é necessário que a conjuntura económica do País esteja favorável”, observou Victor Silva.
Victor Silva apontou os factores que constrangem o comercio automóvel em Moçambique, se configuraram o crescimento do sector, tais como, baixo poder aquisitivo, elevadas taxas de juros, que considerou críticas para o sector. Porém, o gestor da delegação da Nissan MotorCare, faz uma avaliação do mercado automóvel, em termos de crescimento da concorrência com a entrada de novas marcas, admitindo, apesar disso, a existência de oportunidade de negócio para todos, contexto em que a Nissan MotorCare está a inovar.
Referindo-se, a possíveis medidas que possam conferir um melhor clima ao comercio automóvel em Moçambique, Victor Silva afirmou que a revisão do quadro legal de forma reduzir as taxas aduaneiras de importação dos veículos 0 km, aberturas de novas opções de financiamento bancário mais apetecíveis para aquisição das viaturas novas, seriam algumas soluções a considerar. Victor Silva observou ainda que a despeito das várias adversidades que o mercado moçambicano enfrenta, caracteriza o mesmo como sendo “bastante promissor”.

Por sua vez, a CEO do Grupo Ronil Auto, Dalila Tsihlakis, fazendo uma avaliação do mercado automóvel disse que, actualmente o segmento encontra-se estagnado, apesar de alguns sinais de dinâmica, porque é um sector que “em Moçambique é bastante dependente dos orçamento do Estado e dos projectos, dois sectores que ainda estão em recuperação paulatina face as medidas de austeridades que vigoram no País, o que consubstanciaram a dificuldades acrescidas no mercado.
Dalila Tsihlakis foi categórica a apontar a conjuntura económica adversa, elevadas taxas de juros no mercado bancário, como as barreiras a venda de automóveis de primeira mão, onde nem mesmo as alternativas de financiamento via leasing ajudam.
Tsihlakis, disse que era importante que o Governo reduzisse as tarifas aduaneiras para implicar ou reflectir no custo final das viaturas 0 km, especialmente as viaturas turismo. Referiu-se também sobre a pertinência da sensibilização sobre as opções de financiamento disponíveis, reiterando, todavia, a necessidade de redução da taxa de juros directoras do sector financeiro.
A CEO da Ronil Auto, tem a perceção de que o mercado moçambicano é promissor, e que o ramo automóvel vai experimentar os avanços que podem advir dos desenvolvimentos em outros sectores da economia, como o caso do sector energético e turismo. “E daí o surgimento de oportunidade de negócio”, frisou Dalila Tsihlakis.

Já Mário Pronto que é da Hyundai, que é uma marca das três marcas (BMW, Hyundai, e a Mazda), representadas pelo Grupo Ronil Auto, classificou o mercado moçambicano de automóveis como estando estacionário, no entanto, apresentando sinais de retoma. Sobre os desafios que o mercado enfrenta, referiu-se “ao constante influxo de viaturas usadas e recondicionadas que advém do mercado japonês, que de certa forma impede o comércio normal de viaturas novas, portanto, de primeira mão. “ Então esse é um dos factores principais que estabelece alguma dificuldade em vender os carros 0 km”, desabafou Mário Pronto.
Também falando sobre as medidas para melhorar o ambiente de mercado do sector, Mário Pronto, disse que o Governo podia restringir ligeiramente o influxo de viaturas de segunda mão vindo do Japão, e também intervir sobre o mercado bancário na perspectiva de relaxar a taxa de juros, permitindo, dessa forma, aumentar a capacidade de aquisição destas viaturas de primeira por meio de um financiamento de leasing, por exemplo, por empresas e particulares.
Contudo Mário Pronto, aponta o mercado como promissor e que esta de facto a registar avanços paulatinos, e que se espera maior dinâmica no mercado, frisou este expositor.
Um trabalho realizado pelo O.Económico, analisando o período compreendido entre 2016 e 2018, da conta que o país registou um aumento do número de viaturas importadas, de 29.559 viaturas, em 2016, para 44.842 em 2018, o que representou um incremento de cerca de 35% em 2 anos, o que de certa forma atesta um elevado número de consumo veículos automóveis de segunda mão vindo do Japão maioritariamente, e de diferentes quadrantes do mundo. Esta dinâmica, contudo ficou sustida pela crise pandémica que afectou também o sector nos últimos anos.



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