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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026
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Produção Agrícola do Norte Pode Compensar Seca no Sul, Mas Custos Logísticos Limitam Estratégia

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Redacção
21 Out 2026 · 18h38
16 minutos
59
  • O Governo pretende intensificar a produção agrícola nas regiões com melhores perspectivas de precipitação, procurando atenuar os efeitos da seca associada ao El Niño no Centro e Sul do país. A estratégia prevê assistência a 200 mil famílias, recuperação de sistemas de regadio e utilização de culturas tolerantes à seca. Porém, as fragilidades das infra-estruturas de transporte, armazenagem e comercialização levantam uma questão decisiva: como assegurar que os excedentes produzidos no Norte cheguem aos mercados deficitários a preços competitivos?
QUESTÕES-CHAVE
  • Compensação agrícola: Governo pretende aproveitar condições de precipitação mais favoráveis no Norte para atenuar perdas de produção nas regiões Centro e Sul;
  • Segurança alimentar: Medidas anunciadas incluem distribuição de insumos agrícolas a 200 mil famílias, revitalização do regadio e promoção de culturas tolerantes à seca;
  • Custos logísticos: Transporte, armazenamento e comercialização condicionam a competitividade dos produtos agrícolas nacionais entre regiões;
  • Integração dos mercados: Investigação sobre o milho em Moçambique demonstra que melhorias nas infra-estruturas de transporte podem reduzir diferenças de preços entre mercados;
  • Concorrência externa: Produtos provenientes de regiões excedentárias podem perder competitividade face a importações quando os custos de comercialização interna são elevados;
  • Política agrícola: A compensação efectiva das perdas exige uma estratégia que articule produção, logística, operadores comerciais, financiamento e acesso aos consumidores.

Governo Aposta na Produção do Norte Para Atenuar Efeitos da Seca

O Governo moçambicano pretende intensificar a produção agrícola nas regiões do Norte, onde se antecipam condições de precipitação relativamente mais favoráveis, como parte da estratégia de mitigação dos efeitos da seca que poderá afectar as regiões Centro e Sul durante a campanha agrícola 2026/2027.

A orientação foi avançada por Judith Mussácula, secretária executiva do Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), numa informação divulgada pelo Jornal Notícias, que identifica a reorganização territorial da produção como uma das respostas à ameaça climática associada ao fenómeno El Niño.

Segundo a responsável, estão em curso acções antecipadas no âmbito do Plano de Mitigação dos Impactos do El Niño, recentemente aprovado pelo Governo, em articulação com os sectores das Obras Públicas, Recursos Hídricos e autoridades distritais.

As medidas anunciadas incluem a sensibilização das comunidades para a adaptação dos ciclos agrícolas, a utilização de variedades mais tolerantes à seca e o reforço de culturas de ciclo curto, capazes de aproveitar melhor a disponibilidade limitada de água.

O sector prevê igualmente apoiar 200 mil famílias das regiões Centro e Sul através da distribuição de kits de insumos agrícolas, incluindo sementes, fertilizantes e agroquímicos.

Na província de Maputo, o sector agrícola prepara intervenções destinadas à recuperação de sistemas de regadio, particularmente nos distritos da Moamba, Magude e Manhiça, considerados vulneráveis à redução da precipitação.

De acordo com Paulo Cossa, director provincial da Agricultura, parte dos insumos destinados à resposta já se encontra aprovisionada, incluindo variedades tolerantes à seca, como ramas de batata-doce, estacas de mandioqueira e sementes de culturas de ciclo curto.

O plano contempla ainda a abertura de furos multiuso para abastecimento de água às populações e ao gado, enquanto os serviços de extensão agrícola estão a ser mobilizados para apoiar a adaptação dos produtores.

As medidas respondem a um risco climático real. Em Julho, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Mundial para a Alimentação (PMA) alertaram que o El Niño de 2026/2027 poderá provocar condições de seca no Sul e Centro de Moçambique, enquanto o Norte enfrenta riscos de precipitação excessiva e cheias. 

A diferenciação regional dos impactos climáticos abre espaço para uma estratégia de compensação da produção agrícola. Todavia, essa possibilidade levanta uma questão económica cuja solução ultrapassa o domínio agronómico.

Aumentar a produção onde houver melhores condições climáticas constitui apenas a primeira etapa. A compensação efectiva exige que os alimentos produzidos cheguem às regiões deficitárias em quantidades suficientes e a preços acessíveis.

Compensação Estatística Não Significa Abastecimento Efectivo

A estratégia governamental assenta numa lógica economicamente compreensível: quando a produção agrícola diminui numa região, o aumento da oferta noutras zonas pode atenuar o impacto sobre a disponibilidade nacional de alimentos.

Contudo, existem duas dimensões distintas da compensação agrícola.

A primeira é a compensação estatística, verificada quando a maior produção de determinadas províncias reduz, no balanço nacional, as perdas registadas noutras regiões.

A segunda é a compensação económica e comercial, que ocorre quando esses excedentes são efectivamente transferidos para os mercados onde existe escassez, em condições que permitam preservar o acesso dos consumidores.

A diferença é fundamental para a segurança alimentar.

Um aumento da produção de milho, feijão ou outros produtos no Norte pode melhorar os indicadores agregados da campanha agrícola, sem necessariamente provocar um aumento equivalente da disponibilidade nos mercados do Sul.

Se os custos de recolha, transporte, armazenagem, financiamento e distribuição forem elevados, os produtos poderão chegar aos destinos a preços superiores aos praticados por fornecedores alternativos.

Nestes casos, a existência de excedentes numa região pode coexistir com dificuldades de abastecimento noutra.

É precisamente esta fragmentação que caracteriza parte dos mercados agrícolas moçambicanos, condicionados por grandes distâncias geográficas, qualidade desigual das vias de acesso e insuficiências nas estruturas de comercialização.

O problema revela que a segurança alimentar deve ser avaliada através da produção disponível e também da capacidade das famílias para adquirir os alimentos.

Na literatura económica, esta distinção está associada às dimensões de disponibilidade e acesso alimentar.

Um país pode apresentar volumes agregados de produção relativamente favoráveis e, ainda assim, enfrentar insegurança alimentar localizada quando as condições de transporte, comercialização ou rendimento impedem que a oferta chegue às populações afectadas.

Custo de Levar Alimentos do Norte ao Sul Constitui Obstáculo Estrutural

O transporte de produtos agrícolas entre regiões constitui uma das fragilidades persistentes da economia moçambicana.

A extensão territorial do país, a localização dispersa das zonas produtoras, as dificuldades das estradas rurais e a limitada articulação entre diferentes modalidades de transporte influenciam o custo de colocação dos produtos nos mercados consumidores.

O preço de um produto agrícola no destino resulta de diferentes componentes.

Ao preço pago ao produtor acrescentam-se custos de recolha, carregamento, transporte, armazenagem, perdas físicas, financiamento, intermediação e distribuição.

Em cadeias de abastecimento longas, estas parcelas podem representar uma componente relevante do preço final.

A situação é especialmente sensível para produtos agrícolas de baixo valor por unidade de peso, como determinados cereais e tubérculos, cujo transporte por longas distâncias pode comprometer a competitividade comercial.

O problema foi identificado há vários anos pela FAO e pelo PMA.

Numa missão conjunta de avaliação da produção agrícola e segurança alimentar em Moçambique, realizada em 2010, as duas instituições observaram que o transporte de milho das regiões produtoras do Centro para os mercados do Sul enfrentava desvantagens de custo relativamente à importação de milho sul-africano.

O relatório associava esta situação às longas distâncias, aos custos de transporte e às condições comerciais então existentes. 

Embora esta evidência seja histórica e não permita estabelecer automaticamente a mesma relação de preços em 2026, revela a natureza estrutural do problema.

A proximidade geográfica e a existência de corredores comerciais com a África do Sul podem tornar determinados produtos importados mais competitivos nos mercados do Sul do que mercadorias produzidas em regiões distantes de Moçambique.

Esta possibilidade introduz uma contradição económica: a produção nacional pode apresentar custos relativamente baixos nas zonas de origem e, ainda assim, perder competitividade no mercado de destino.

O resultado depende da diferença entre o preço de aquisição interna acrescido de todos os custos logísticos e o preço de importação colocado no mesmo mercado.

Sem uma avaliação destas componentes, a afirmação de que a produção do Norte poderá compensar as perdas do Sul permanece incompleta do ponto de vista comercial.

Investigação Sobre o Milho Confirma Impacto das Infra-Estruturas nos Preços

A relação entre infra-estruturas, custos de transporte e integração dos mercados agrícolas moçambicanos foi examinada por investigadores que analisaram os efeitos económicos da construção da ponte Armando Emílio Guebuza, sobre o rio Zambeze, inaugurada em 2009.

Num estudo publicado em 2021 no American Journal of Agricultural Economics, Sam Jones e César Salazar demonstraram que a melhoria da travessia do Zambeze contribuiu para reduzir as diferenças de preços do milho entre mercados que beneficiaram de uma diminuição significativa dos tempos de viagem.

Os investigadores concluíram que a redução dos custos de deslocação favoreceu a integração dos mercados agrícolas, embora os benefícios tenham sido limitados pela distância entre os centros de produção e consumo.

O estudo estimou uma elasticidade de aproximadamente 30% entre as diferenças absolutas de preços e o tempo de viagem entre mercados, indicando uma relação importante entre acessibilidade e funcionamento do comércio agrícola.

A evidência demonstra que a melhoria de uma infra-estrutura de transporte pode produzir efeitos económicos concretos sobre a formação dos preços. 

Uma investigação complementar, publicada em 2022 no Journal of African Economies, por Wouter Zant, analisou dados de preços do milho em 22 mercados moçambicanos, antes e depois da entrada em funcionamento da ponte.

O estudo estimou reduções dos custos de transporte entre 3% e 7%, em média nas rotas examinadas, identificando diferenças entre os benefícios obtidos pelos comerciantes e pelos consumidores.

A investigação concluiu ainda que aproximadamente dois terços das reduções estimadas estavam associados à distância e um terço à qualidade das estradas, no quadro da metodologia utilizada. 

Estes resultados oferecem uma referência importante para avaliar a estratégia governamental de compensação agrícola.

Se a redução dos tempos de viagem e a melhoria das estradas contribuem para aproximar os preços entre mercados, a persistência de custos elevados de transporte pode dificultar a circulação de excedentes entre regiões.

A experiência também demonstra que intervenções isoladas podem produzir benefícios territorialmente limitados quando permanecem grandes distâncias, estradas secundárias degradadas e insuficiências na organização comercial.

A compensação agrícola entre o Norte e o Sul exigirá, portanto, uma análise da cadeia logística no seu conjunto, desde a recolha da produção nas explorações agrícolas até à entrega nos mercados consumidores.

Armazenagem e Comercialização Determinam Capacidade de Escoamento

A distribuição de excedentes agrícolas não depende exclusivamente da existência de estradas transitáveis.

O funcionamento das cadeias de abastecimento exige instalações de armazenamento, equipamentos de conservação, informação comercial, operadores de transporte e mecanismos de financiamento.

Nas zonas rurais, a produção agrícola encontra-se frequentemente dispersa por pequenos produtores, com volumes individuais reduzidos e condições distintas de acesso aos mercados.

A recolha e agregação destes volumes exige estruturas comerciais capazes de organizar a aquisição, classificação, acondicionamento e transporte dos produtos.

Sem mecanismos adequados, os agricultores podem ser obrigados a vender parte significativa das colheitas imediatamente após a produção, em períodos de maior oferta e preços relativamente baixos.

A inexistência de capacidade suficiente de armazenagem também dificulta a conservação dos excedentes para utilização em momentos de escassez.

No caso dos produtos perecíveis, as limitações de refrigeração e conservação aumentam o risco de perdas ao longo do transporte e da comercialização.

O Banco Mundial, no relatório Transport for Food Security in Sub-Saharan Africa, divulgado em Maio de 2025, alertou para as perdas de alimentos associadas às insuficiências logísticas africanas.

A instituição estimou que cerca de 37% dos alimentos produzidos localmente em África se perdem durante o transporte e a distribuição, segundo a abrangência metodológica do estudo. Trata-se de um indicador regional, não de uma estimativa específica para Moçambique. 

O diagnóstico demonstra que a capacidade de preservar os alimentos ao longo das cadeias de abastecimento tem relevância económica semelhante à ampliação da produção.

A recuperação de estradas rurais, o desenvolvimento de armazéns, a instalação de infra-estruturas de frio e a melhoria da organização comercial podem reduzir perdas, ampliar a oferta efectiva e melhorar os preços recebidos pelos produtores.

A sua importância aumenta num cenário de irregularidade climática, em que os períodos de produção e escassez podem apresentar maior volatilidade.

Concorrência das Importações Coloca a Competitividade Interna no Centro do Debate

A estratégia de compensação agrícola deverá considerar a concorrência entre produtos nacionais provenientes de regiões distantes e alimentos importados de países vizinhos.

No mercado do Sul, a proximidade com a África do Sul e a existência de corredores comerciais consolidados podem oferecer vantagens logísticas a determinados produtos importados.

Esta situação não significa que as importações sejam sempre mais baratas ou economicamente preferíveis, mas evidencia a necessidade de comparar os custos efectivos de abastecimento.

Um operador comercial avalia a aquisição de produtos com base no preço de compra, nos custos de transporte, nas perdas esperadas, nas condições de pagamento e na capacidade de resposta à procura.

Se o custo de colocar milho produzido no Norte num mercado do Sul ultrapassar o custo de adquirir produto equivalente num país vizinho, a comercialização interna poderá enfrentar dificuldades, mesmo quando existe disponibilidade nacional.

A FAO e o PMA já haviam identificado esta situação na avaliação agrícola de 2010, ao observarem que o milho proveniente da África do Sul apresentava vantagens comerciais nos mercados do Sul em determinadas condições. 

A actualização deste diagnóstico exigiria informação sobre preços agrícolas regionais, fretes rodoviários, custos de armazenamento e preços de importação efectivamente praticados em 2026.

Na ausência destes dados, não é possível quantificar o diferencial actual de competitividade entre o milho produzido no Norte e o milho importado.

A questão, entretanto, permanece economicamente relevante.

Promover a produção nacional constitui um objectivo importante, mas a sua sustentabilidade comercial exige condições que permitam aos produtos competir em preço, qualidade e regularidade de fornecimento.

A política de substituição de importações deverá, por isso, ser acompanhada pela redução dos custos logísticos internos e por mecanismos que aproximem as regiões produtoras dos mercados consumidores.

Segurança Alimentar Exige Respostas Regionais e Abastecimento Nacional

A estratégia de resposta ao El Niño apresenta duas dimensões que devem ser desenvolvidas de forma articulada.

A primeira corresponde à adaptação da produção agrícola nas áreas expostas à seca, através do reforço do regadio, da distribuição de insumos e da utilização de variedades tolerantes à escassez de água.

A segunda está relacionada com a possibilidade de mobilizar excedentes produzidos noutras regiões para atenuar a redução da oferta alimentar.

Estas intervenções apresentam exigências diferentes.

A adaptação agrícola depende sobretudo da capacidade de apoiar os produtores, assegurar água e melhorar os sistemas de produção.

A compensação comercial exige, adicionalmente, capacidade para identificar os excedentes, contratar operadores, organizar a armazenagem e distribuir os alimentos de acordo com as necessidades regionais.

A diferença ganha importância perante os riscos alimentares já identificados pelas organizações internacionais.

Em Setembro de 2026, a FAO assinalou que aproximadamente 1,19 milhão de pessoas enfrentavam níveis de crise de insegurança alimentar em 46 distritos de Moçambique, incluindo cerca de 81 mil pessoas em situação de emergência, segundo a análise da Classificação Integrada das Fases de Segurança Alimentar (IPC). 

Os indicadores revelam que a preparação para a campanha 2026/2027 ocorre num contexto de vulnerabilidades alimentares preexistentes.

A melhoria da produção agrícola no Norte poderá contribuir para a oferta nacional, mas a ocorrência de chuvas excessivas ou cheias na própria região poderá também afectar as colheitas e as infra-estruturas de transporte.

O cenário climático apresenta, portanto, riscos diferenciados que exigem acompanhamento permanente da disponibilidade de alimentos e das condições de acesso aos mercados.

Plano de Mitigação Precisa de Articulação Entre Agricultura e Logística

As informações divulgadas sobre a estratégia governamental apresentam medidas relacionadas com sementes, regadio, assistência técnica e reorganização dos ciclos produtivos.

Contudo, não especificam os mecanismos de comercialização inter-regional que permitiriam transportar eventuais excedentes do Norte para o Centro e Sul.

Entre os elementos ainda não esclarecidos encontram-se os volumes de produção que poderão ser mobilizados, os principais mercados de destino, os custos previstos de transporte e a eventual participação de operadores comerciais ou instituições públicas na organização do abastecimento.

A sua definição seria importante para avaliar a viabilidade económica da compensação.

O Banco Mundial, no Mozambique Economic Update — Getting Agricultural Support Right, identificou a necessidade de melhorar as políticas de apoio agrícola para elevar a competitividade, a resiliência climática e a segurança alimentar.

A instituição destacou que a diversidade agroecológica do país constitui uma oportunidade para desenvolver o sector, mas a produtividade agrícola permanece baixa em comparação com outras economias da região. 

O desenvolvimento de cadeias de comercialização constitui uma componente importante desta agenda.

Uma estratégia mais integrada poderá envolver a identificação de excedentes por produto e província, o acompanhamento dos preços regionais, a mobilização de capacidade de armazenagem e a criação de condições para a participação de comerciantes, transportadores e empresas agro-industriais.

O financiamento da comercialização também merece atenção.

Os operadores necessitam de capital de exploração para adquirir produtos aos agricultores, suportar custos de transporte e assegurar a distribuição antes da realização das receitas.

A existência de mecanismos adequados de financiamento pode facilitar a circulação de produtos, particularmente quando os volumes aumentam ou quando os mercados se encontram distantes das zonas produtoras.

O desenvolvimento destas soluções exige coordenação entre instituições públicas, sector privado e sistema financeiro.

A Produção Nacional Precisa de Mercados Nacionalmente Integrados

A iniciativa de intensificar a produção agrícola no Norte constitui uma resposta possível aos riscos de redução das colheitas nas regiões Centro e Sul durante a campanha agrícola 2026/2027.

A eficácia desta orientação, contudo, enfrenta limitações que estão relacionadas com a estrutura económica e logística do país.

A investigação sobre os mercados de milho em Moçambique confirma que as infra-estruturas de transporte influenciam as diferenças de preços entre regiões e que melhorias na conectividade podem favorecer a integração comercial.

Mas a circulação de produtos exige igualmente capacidade de armazenagem, financiamento, operadores comerciais e sistemas de informação que permitam responder às necessidades dos mercados.

Num país com distâncias significativas entre as principais zonas de produção e alguns dos maiores centros consumidores, a competitividade da agricultura depende também da eficiência das ligações entre produtores e compradores.

A estratégia de mitigação do El Niño pode contribuir para reforçar a produção nacional, mas a compensação efectiva das perdas agrícolas exige uma resposta que integre a organização dos mercados e os custos de distribuição.

Existe uma contradição económica que a estratégia anunciada terá de enfrentar: Moçambique pode dispor de excedentes agrícolas no Norte e continuar a abastecer parte dos mercados do Sul através de importações, quando estas apresentam menores custos de colocação. A prioridade deixa, assim, de ser exclusivamente produzir onde chove mais e passa a incluir a capacidade de tornar economicamente viável a circulação dessa produção dentro do próprio país.

O
Redacção

Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

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