Saltar para o conteúdo
Terça-feira, 20 de Outubro de 2026
PublicidadePublicidade

CPLP Procura Converter Língua Comum Em Mercado Para Pequenos Negócios

O
Redacção
4 Set 2026 · 12h53
10 minutos
525
  • Moçambique propõe uma comunidade orientada para investimento, emprego e empreendedorismo, enquanto o Partido Socialista português defende a remoção das barreiras à mobilidade
Questões-Chave:
  • Moçambique defende que os próximos 30 anos da CPLP devem ser orientados para a criação de oportunidades económicas concretas;
  • A língua portuguesa pode funcionar como uma ponte entre empresas, conhecimento, capital e mercados distribuídos por quatro continentes;
  • As micro, pequenas e médias empresas são apontadas como a principal base para ampliar negócios, emprego e inovação dentro da Comunidade;
  • A formalização dos pequenos negócios deve assegurar acesso ao financiamento, tecnologia, protecção social e mercados;
  • O Partido Socialista português defende a remoção de obstáculos à mobilidade dos cidadãos dentro da CPLP;
  • A circulação de empresários, trabalhadores, estudantes e competências constitui uma condição para transformar a proximidade cultural em integração económica;
  • A CPLP reúne aproximadamente 300 milhões de habitantes e mantém ligações com importantes blocos económicos regionais;

Moçambique defende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deve transformar a proximidade histórica, cultural e linguística em oportunidades concretas de comércio, investimento, emprego e empreendedorismo.

A proposta foi apresentada pelo Ministro da Economia, Basílio Muhate, durante a abertura do IV Diálogo dos Pequenos Negócios e Empreendedorismo da CPLP, realizado em Maputo no contexto das celebrações dos 30 anos da organização.

“Os próximos 30 anos devem acrescentar uma nova ambição, a de fazer da CPLP cada vez mais uma comunidade de oportunidades”, declarou o governante, citado pela Agência de Informação de Moçambique.

A concretização desta visão exigirá, entretanto, mais do que encontros institucionais e declarações de cooperação. A criação de um verdadeiro espaço económico lusófono dependerá da remoção de barreiras à circulação, da aproximação dos sistemas financeiros e regulatórios e da construção de mecanismos que permitam às pequenas empresas operar além dos respectivos mercados nacionais.

A questão da mobilidade foi igualmente colocada pelo Secretário-Geral do Partido Socialista português, José Luís Carneiro, durante uma visita de trabalho a Moçambique. Segundo o jornal Notícias, o dirigente defendeu que os parlamentos nacionais devem contribuir para remover os obstáculos que ainda condicionam a circulação dos cidadãos dentro da CPLP.

As duas posições convergem num ponto: sem circulação de pessoas, competências e iniciativas empresariais, a língua comum permanecerá um activo cultural com aproveitamento económico limitado.

Língua Deve Funcionar Como Infra-Estrutura Económica

Para Basílio Muhate, a língua portuguesa deve ser utilizada como uma ponte económica capaz de ligar diferentes continentes, empresas, conhecimento, capital e oportunidades.

“A nossa unidade só será verdadeiramente económica quando uma boa ideia puder atravessar fronteiras”, afirmou.

O ministro defendeu que um pequeno empreendedor de Maputo deve poder encontrar oportunidades em mercados como Luanda, Cidade da Praia, São Tomé, Bissau, Díli, Rio de Janeiro ou Lisboa.

A declaração introduz uma dimensão prática na discussão sobre a integração lusófona. A existência de um idioma partilhado reduz parte dos custos de comunicação, negociação, formação e acesso à informação. Contudo, esta vantagem não elimina os obstáculos ligados ao financiamento, logística, pagamentos, vistos, certificações, fiscalidade e reconhecimento de qualificações.

Para que a língua funcione como uma infra-estrutura económica, será necessário construir instrumentos que facilitem a actividade transfronteiriça das empresas, especialmente daquelas que não dispõem dos recursos financeiros e jurídicos das grandes organizações.

Mobilidade É Parte Da Agenda Empresarial

A remoção de barreiras à mobilidade surge, neste contexto, como uma componente económica, e não apenas política ou consular.

Durante a sua visita ao Parlamento moçambicano, José Luís Carneiro afirmou que a cooperação parlamentar entre Portugal e Moçambique deve contribuir para eliminar obstáculos que limitam as oportunidades de vida, estudos, investimento e criação de riqueza.

“Há ainda obstáculos que importa remover e os parlamentos nacionais devem continuar a pugnar, devem continuar a trabalhar para remover alguns dos obstáculos que ainda se colocam aos cidadãos que procuram nessa mobilidade oportunidades de vida, estudos, investimentos e de criação de riqueza”, declarou, citado pelo Notícias.

O dirigente socialista afirmou que o PS tem acompanhado as alterações introduzidas em Portugal à legislação sobre estrangeiros e nacionalidade, procurando avaliar os respectivos efeitos sobre a mobilidade dos cidadãos da CPLP.

José Luís Carneiro reiterou ainda o compromisso de defender, na Assembleia da República Portuguesa, os interesses legítimos dos moçambicanos residentes em Portugal e dos portugueses que vivem em Moçambique.

A circulação de pessoas possui uma relação directa com a actividade económica. Empresários precisam de viajar para identificar clientes e parceiros; trabalhadores necessitam de mobilidade para responder à procura de competências; estudantes e investigadores dependem de sistemas acessíveis para transferir conhecimento; e investidores precisam de previsibilidade na entrada e permanência nos diferentes mercados.

Pequenos Negócios Podem Dar Conteúdo Económico À CPLP

Basílio Muhate classificou as micro, pequenas e médias empresas como a “espinha dorsal” das economias dos países da CPLP.

“Pequenas podem ser as empresas, mas grande é o seu impacto nas nossas economias”, afirmou, defendendo maior apoio a este segmento para estimular emprego, rendimento, inovação e crescimento económico.

A opção pelas MPME responde à estrutura produtiva dos próprios Estados-membros. Em muitas destas economias, a maioria das empresas pertence ao segmento dos pequenos negócios, responsável por grande parte do emprego e da geração de rendimentos.

A participação destas organizações no comércio intracomunitário permanece, porém, limitada. Os custos de transporte, a falta de informação sobre mercados, a dificuldade de acesso a financiamento e a complexidade dos procedimentos de exportação impedem que muitas empresas ultrapassem as fronteiras nacionais.

Uma agenda económica da CPLP orientada para os pequenos negócios deverá, por isso, facilitar a identificação de parceiros, harmonizar procedimentos, reduzir custos de entrada e promover instrumentos de financiamento e garantia.

Formalização Deve Representar Inclusão

No caso de Moçambique, o Ministro da Economia destacou o fortalecimento do quadro jurídico e institucional das MPME e do cooperativismo, assim como a simplificação e digitalização da relação entre o Estado e o sector privado.

Entre as iniciativas em curso, mencionou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o Pro-Jovem, o Pro-Mulher e o Fundo de Garantia Mutuária, destinados a apoiar a transformação de ideias em negócios e gerar rendimento.

Muhate considerou que a formalização não deve limitar-se ao registo administrativo dos operadores.

“Formalizar não é apenas reajustar. Deve significar inclusão”, declarou.

A inclusão pressupõe que a entrada na economia formal proporcione benefícios económicos reconhecíveis, incluindo acesso ao financiamento, tecnologia, protecção social, formação e mercados.

Se a formalização representar apenas novos custos, impostos e obrigações, os pequenos operadores terão poucos incentivos para abandonar a informalidade. O processo precisa de ampliar a capacidade de produzir, vender, contratar e aceder a oportunidades públicas e privadas.

Digitalização Pode Reduzir Distâncias

A digitalização foi apontada como uma das prioridades para aproximar os pequenos negócios dos diferentes mercados da CPLP.

O desenvolvimento de competências digitais, conectividade, pagamentos electrónicos e comércio digital pode reduzir os custos de entrada e permitir que pequenas empresas cheguem a clientes de outros países sem estabelecer imediatamente uma presença física.

Entretanto, a criação de um mercado digital lusófono exige compatibilidade entre sistemas de pagamento, regras de protecção de dados, mecanismos de identificação, tributação das operações e procedimentos aduaneiros.

As plataformas digitais podem aproximar oferta e procura, mas não eliminam os constrangimentos logísticos. Produtos comercializados electronicamente continuam dependentes de transportes, serviços postais, alfândegas e redes de distribuição.

A digitalização deve, assim, ser acompanhada pela melhoria da conectividade física e dos instrumentos que regulam as transacções transfronteiriças.

Sustentabilidade E Clima Entram Na Estratégia

O Ministro da Economia defendeu igualmente a adopção de modelos de negócio mais resilientes aos efeitos das mudanças climáticas.

A questão é particularmente relevante para pequenos agricultores, operadores turísticos, empresas de transporte e negócios dependentes de infra-estruturas vulneráveis a ciclones, cheias e secas.

A cooperação entre os países da CPLP poderá facilitar a partilha de tecnologias, metodologias de gestão de riscos e instrumentos financeiros destinados à adaptação climática.

As diferentes experiências dos Estados-membros constituem uma base para desenvolver soluções aplicáveis a economias insulares, países africanos vulneráveis a eventos extremos e territórios com extensa exposição costeira.

Bloco Liga Diferentes Espaços Económicos

O representante do sector empresarial da CPLP ligado ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas destacou que a Comunidade reúne cerca de 300 milhões de habitantes e dispõe de importantes recursos minerais e energéticos.

A sua capacidade económica não se limita à dimensão demográfica. Os Estados-membros estabelecem ligações com o Mercado Comum do Sul, a União Europeia, as comunidades económicas africanas e a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Esta presença em diferentes regiões pode transformar a CPLP numa plataforma de ligação entre mercados, permitindo que empresas dos Estados-membros utilizem parcerias lusófonas para chegar a espaços económicos mais amplos.

Para Moçambique, esta possibilidade complementa a participação na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral e na Zona de Comércio Livre Continental Africana. Basílio Muhate sublinhou que a CPLP não constitui uma alternativa à integração regional e continental, mas uma plataforma adicional de abertura ao mundo.

A combinação entre a posição de Moçambique na África Austral e as ligações dos restantes Estados-membros a outros blocos pode criar oportunidades de produção, distribuição e investimento.

Experiência Brasileira Pode Apoiar MPME

O representante empresarial brasileiro colocou a experiência de instituições como o Sebrae à disposição de Moçambique nas áreas de políticas públicas, programas e metodologias de apoio aos pequenos negócios.

“Temos muito que colaborar e aprender uns com os outros”, declarou, defendendo maior cooperação institucional entre os Estados-membros.

Na experiência brasileira apresentada durante o encontro, as micro, pequenas e médias empresas representam cerca de 98% do número total de empresas e respondem por quase metade dos empregos gerados.

A cooperação poderá abranger formação empresarial, desenvolvimento de fornecedores, formalização, acesso a mercados, digitalização e criação de mecanismos de apoio dirigidos a jovens e mulheres.

O IV Diálogo resulta de uma articulação entre o Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas, o Sebrae e a Agência Brasileira de Cooperação, estabelecida no contexto da visita do Presidente brasileiro a Moçambique, em Novembro de 2025.

Dos 300 Milhões De Consumidores Ao Mercado Efectivo

A dimensão demográfica da CPLP é frequentemente apresentada como demonstração do seu potencial económico. Contudo, 300 milhões de habitantes não constituem automaticamente um mercado integrado.

A transformação desse universo num espaço efectivo de negócios depende da circulação de pessoas, bens, serviços, capitais e informação. Exige também instrumentos de financiamento, garantias, sistemas de pagamento e reconhecimento de qualificações.

As posições de Basílio Muhate e José Luís Carneiro mostram que a mobilidade e o empreendedorismo fazem parte da mesma equação. Remover barreiras sem criar oportunidades empresariais terá efeitos limitados; promover negócios sem facilitar a circulação reduzirá a capacidade de concretização.

A próxima etapa da CPLP será determinada pela capacidade de passar da proximidade cultural para mecanismos económicos operacionais. Para os pequenos negócios, isso significa poder encontrar clientes noutro Estado-membro, receber pagamentos, transportar mercadorias, estabelecer parcerias e deslocar trabalhadores sem custos desproporcionais.

A língua portuguesa oferece uma vantagem de partida. Transformá-la numa comunidade de oportunidades exigirá políticas capazes de converter afinidade em mobilidade, mobilidade em negócios e negócios em emprego e criação de riqueza.

O.ECONÓMICO
Informação em tempo real
Fique a par.
Esteja à frente.
Acompanhe as principais actualidades nacionais e internacionais e tenha a informação certa para tomar melhores decisões.
◉ CONECTE-SE AO NOSSO WHATSAPP →
Informação que faz a diferença.
O.ECONÓMICO • Informação para decidir melhor
O
Redacção

Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

Mais artigos

3 comentários

  1. MM
    mmtmt555myanmar
    8 Set 2026

    Stable internet is a dream here so I really appreciate how lightweight the mobile version is, local payment methods save me so much hassle and the support team actually listens to our feedback, check it out soon mmtmt555myanmar

  2. B
    bdnog88
    10 Set 2026

    This place has everything you need in one spot. The registration was a breeze and I was playing within seconds. bdnog88 is the way to go!

  3. J
    65jililogin
    15 Set 2026

    Finally found a site that doesn’t crash every five minutes. The interface is super user-friendly and the payouts feel fair. Highly recommend giving 65jililogin a try if you are into online gaming.

Deixe o seu comentário

O seu endereço de email não será publicado.