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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026
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Cimentos de Moçambique Eleva Capacidade Instalada no Dondo em 73% e Inicia Produção Local de Clínquer

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Redacção
21 Out 2026 · 17h04
11 minutos
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  • A fábrica da Huaxin Cement, em Sofala, passa a dispor de uma capacidade anual de moagem de 1,3 milhão de toneladas de cimento, contra 750 mil anteriormente, e incorpora uma nova linha de produção de três mil toneladas diárias de clínquer. O investimento inclui um sistema de recuperação de calor para gerar cinco megawatts de electricidade, criando condições para reduzir importações, melhorar a competitividade industrial e reforçar o abastecimento da região Centro.
QUESTÕES-CHAVE
  • Expansão industrial: Capacidade anual de moagem de cimento aumenta de 750 mil para 1,3 milhão de toneladas, equivalente a um crescimento de aproximadamente 73,3%;
  • Produção de clínquer: Nova linha industrial apresenta capacidade instalada de três mil toneladas por dia, reduzindo a dependência de matéria-prima importada;
  • Eficiência energética: Projecto incorpora uma unidade de geração eléctrica de cinco megawatts, através da recuperação de calor residual;
  • Investimento e modernização: Obras iniciadas em Maio de 2025 e concluídas após cerca de 17 meses, com participação da China Railway No.20 Bureau;
  • Abastecimento regional: Expansão poderá aumentar a disponibilidade de cimento na região Centro e melhorar a capacidade de resposta à procura da construção;
  • Transformação económica: Projecto representa um exemplo de integração produtiva, substituição de importações e modernização da indústria transformadora.

Dondo Passa a Integrar Produção de Clínquer e Moagem de Cimento

A indústria cimenteira moçambicana registou um novo investimento na expansão da capacidade produtiva, com a entrada em funcionamento de uma linha de produção de clínquer na fábrica do Dondo, província de Sofala, pertencente à Cimentos de Moçambique, integrada no grupo chinês Huaxin Cement.

A nova instalação, com capacidade para produzir três mil toneladas de clínquer por dia, entrou em operação a 6 de Outubro de 2026, na sequência de um projecto de ampliação e modernização iniciado em Maio de 2025.

A confirmação consta de uma comunicação da própria Cimentos de Moçambique, que assinalou a entrada em funcionamento do novo forno e a transformação do Dondo numa unidade industrial integrada de produção de cimento.

Segundo a empresa, o investimento permite produzir localmente uma matéria-prima essencial ao fabrico de cimento, reduzindo a dependência de fornecimentos externos e reforçando a capacidade de abastecimento da região Centro. 

O Jornal Notícias, na sua edição de 17 de Outubro, avançou que a expansão deverá elevar a capacidade anual de moagem de 750 mil para 1,3 milhão de toneladas, permitindo um aumento de cerca de 550 mil toneladas por ano. 

Fábrica de cimento de Dondo aumenta capacidade de produção.docx

O crescimento corresponde a aproximadamente 73,3% da capacidade anteriormente instalada, representando uma alteração significativa na dimensão operacional da unidade industrial.

A capacidade anunciada deverá, contudo, ser distinguida dos volumes efectivos de produção e comercialização, que continuarão associados à procura do mercado, à disponibilidade de matérias-primas, à eficiência operacional e à utilização das instalações.

Produção Local de Clínquer Reduz Dependência da Cadeia Externa de Abastecimento

A entrada em funcionamento da nova linha constitui uma alteração importante na estrutura produtiva da fábrica do Dondo.

O clínquer é o produto intermédio obtido através do processamento de matérias-primas minerais, principalmente calcário e argila, em fornos industriais de elevada temperatura. Depois de produzido, é moído com gesso e, consoante o tipo de cimento, outros constituintes para obter o produto final.

As fábricas que dependem da importação de clínquer enfrentam custos associados à aquisição externa, transporte marítimo, operações portuárias, logística terrestre e disponibilidade de divisas.

A produção local desta matéria-prima pode reduzir a exposição a parte destes factores, permitindo uma maior integração das diferentes fases do processo industrial.

No caso do Dondo, a nova linha representa a passagem de uma unidade anteriormente orientada para a moagem de cimento para uma estrutura integrada, capaz de produzir clínquer e realizar as operações subsequentes de fabrico.

O grupo Huaxin sublinha que a nova instalação incorpora processos industriais modernos e equipamentos destinados a melhorar a qualidade dos produtos, reduzir os custos operacionais e ampliar a capacidade de resposta ao mercado. 

A substituição de clínquer importado por produção nacional apresenta igualmente uma dimensão macroeconómica, relacionada com a potencial redução da procura de divisas para importação desta matéria-prima.

Contudo, o benefício líquido para a balança comercial dependerá também dos custos de importação de combustíveis, equipamentos, peças e outros factores necessários ao funcionamento da nova unidade.

A dimensão efectiva da poupança externa não foi quantificada nas informações disponibilizadas.

Capacidade de Moagem Aumenta 550 Mil Toneladas Por Ano

DONDO | INDICADORES DA EXPANSÃO INDUSTRIAL

A expansão do Dondo aumenta a escala potencial de produção da unidade industrial e cria condições para responder a uma parcela maior da procura de materiais de construção.

O acréscimo de 550 mil toneladas na capacidade anual de moagem representa uma expansão expressiva, sobretudo quando associado à possibilidade de produzir localmente o principal componente intermédio do cimento.

A combinação destas capacidades poderá permitir uma organização mais eficiente do processo produtivo, reduzindo a dependência de fornecimentos externos de clínquer.

O aumento da escala industrial também pode criar condições para uma melhor distribuição dos custos fixos, desde que os volumes efectivamente produzidos e comercializados justifiquem a utilização da capacidade instalada.

Em sectores industriais caracterizados por investimentos elevados em equipamentos, fornos e infra-estruturas, a taxa de utilização da capacidade é um factor importante para a competitividade.

Quanto maior for a produção economicamente sustentável, maior poderá ser a possibilidade de distribuir os custos fixos por um volume superior de produto.

Contudo, a relação entre maior capacidade e redução efectiva dos preços depende da concorrência, da estrutura de custos e da evolução da procura.

Não existem, nas informações divulgadas sobre o investimento, dados que permitam antecipar uma redução específica dos preços do cimento no mercado moçambicano.

Recuperação de Calor Introduz Nova Componente de Eficiência Energética

A modernização da fábrica inclui igualmente um sistema de geração de energia eléctrica a partir do aproveitamento do calor residual produzido durante o processo industrial.

Segundo as informações divulgadas pelo Notícias, a unidade apresenta uma capacidade de cinco megawatts, destinados a melhorar a eficiência energética da operação.

A tecnologia, habitualmente designada Waste Heat Recovery (WHR), permite recuperar parte da energia térmica libertada pelos equipamentos industriais e utilizá-la na produção de electricidade.

Na indústria cimenteira, os fornos de clínquer operam a temperaturas muito elevadas e produzem fluxos de gases quentes que podem ser aproveitados em sistemas específicos de recuperação energética.

A utilização desta tecnologia pode reduzir a quantidade de electricidade que a fábrica necessita de adquirir externamente, diminuindo determinados custos operacionais e aumentando a eficiência global do processo.

A recuperação de calor apresenta igualmente vantagens ambientais potenciais, uma vez que permite utilizar energia que, de outra forma, seria dissipada.

O impacto efectivo sobre os custos energéticos e as emissões dependerá da produção real de electricidade, das horas de funcionamento, da eficiência técnica do sistema e das fontes de energia que deixarão de ser utilizadas.

Os cinco megawatts anunciados correspondem à capacidade de geração eléctrica, não à quantidade de energia efectivamente produzida num determinado período.

A introdução desta tecnologia assume relevância num sector em que a energia constitui um dos principais factores de custo e em que a competitividade depende, em parte, da eficiência térmica e eléctrica dos equipamentos.

Expansão Reforça Capacidade de Abastecimento da Região Centro

A localização da fábrica do Dondo constitui uma dimensão importante do investimento.

Situada em Sofala, a unidade encontra-se numa região com ligações à cidade da Beira e ao respectivo corredor logístico, uma das principais plataformas de transporte e comércio do país.

A expansão da capacidade produtiva poderá contribuir para melhorar o abastecimento de cimento nos mercados da região Centro, incluindo actividades de construção civil, infra-estruturas económicas e projectos de reconstrução.

A proximidade entre os centros de produção e os mercados consumidores constitui um factor importante na indústria cimenteira, devido ao peso do transporte no custo final de um produto de elevado volume e valor unitário relativamente baixo.

A produção regional pode, por isso, oferecer vantagens logísticas face ao transporte de cimento a partir de unidades industriais mais distantes.

O grupo Huaxin assinala que a modernização do Dondo permitirá melhorar a capacidade de fornecimento de materiais de construção destinados a projectos de infra-estruturas no Centro de Moçambique e nas regiões circundantes. 

A relevância económica da expansão também deverá ser analisada à luz das necessidades nacionais de infra-estruturas, habitação e desenvolvimento urbano.

O aumento da disponibilidade de cimento pode beneficiar diferentes actividades económicas, desde que acompanhado por condições adequadas de distribuição, concorrência e procura.

Entretanto, a capacidade adicional não constitui, isoladamente, evidência de um aumento equivalente do consumo nacional de cimento.

A evolução do mercado dependerá do ritmo de execução de projectos públicos e privados, da actividade imobiliária e das condições gerais de investimento.

Investimento Concretizado Em 17 Meses de Obras

A expansão foi executada ao longo de aproximadamente 17 meses, entre Maio de 2025 e Outubro de 2026.

As obras contaram com a participação da China Railway No.20 Bureau (Moçambique), Lda., responsável pela execução de trabalhos no âmbito da modernização industrial.

De acordo com a informação divulgada pelo grupo Huaxin, o projecto integrou equipamentos e processos industriais destinados a aumentar a capacidade, melhorar a qualidade dos produtos e reduzir custos operacionais.

O grupo assumiu o controlo da Cimentos de Moçambique em Dezembro de 2023, integrando uma estrutura empresarial com várias unidades industriais no país.

Na comunicação sobre o projecto do Dondo, a Huaxin enquadra a expansão na sua estratégia de investimento e desenvolvimento da capacidade produtiva no mercado moçambicano. 

A entrada em funcionamento da nova linha constitui uma realização industrial concreta, num contexto em que Moçambique necessita de ampliar a capacidade de produção nacional e desenvolver actividades transformadoras associadas às matérias-primas.

Contudo, as fontes consultadas não apresentam o montante financeiro investido na expansão, nem informações detalhadas sobre empregos permanentes criados, custos unitários de produção ou perspectivas de rentabilidade.

Estes indicadores seriam relevantes para uma avaliação mais abrangente do impacto económico do projecto.

Substituição de Importações Pode Apoiar Transformação Industrial

A experiência do Dondo oferece uma referência para a discussão sobre industrialização e substituição competitiva de importações em Moçambique.

A produção nacional de clínquer permite incorporar uma etapa adicional da cadeia de valor no território nacional, reduzindo a dependência de uma matéria-prima anteriormente adquirida no exterior.

Esta integração produtiva pode contribuir para desenvolver competências técnicas, ampliar a utilização de fornecedores locais e melhorar a capacidade industrial.

Do ponto de vista macroeconómico, a substituição de importações apresenta benefícios potenciais quando a produção doméstica consegue assegurar qualidade, preços e condições de fornecimento competitivos.

O desenvolvimento de actividades industriais orientadas para abastecer o mercado interno pode igualmente favorecer o surgimento de empresas de manutenção, transporte, serviços técnicos e fornecimento de equipamentos.

Todavia, os benefícios da industrialização devem ser avaliados em função da competitividade efectiva, da produtividade e do valor acrescentado gerado.

O simples aumento da capacidade instalada não garante uma expansão proporcional do emprego ou dos rendimentos, particularmente em indústrias intensivas em capital e tecnologia.

O investimento poderá produzir resultados económicos mais amplos se for acompanhado pela formação de trabalhadores, aquisição de bens e serviços nacionais e desenvolvimento de ligações produtivas com outras empresas.

A integração da produção de clínquer constitui, neste quadro, um avanço na estrutura industrial da fábrica, mas os seus efeitos sobre o conjunto da economia terão de ser aferidos a partir dos volumes produzidos, custos, vendas e relações comerciais efectivamente estabelecidas.

Maior Capacidade Industrial Exige Mercado, Competitividade e Eficiência

A entrada em funcionamento da nova linha de clínquer e a ampliação da capacidade de moagem representam uma alteração importante na estrutura produtiva da fábrica de cimento do Dondo.

O aumento de aproximadamente 73,3% da capacidade anual de moagem, associado à produção de três mil toneladas diárias de clínquer e à instalação de cinco megawatts de recuperação energética, introduz condições para melhorar a eficiência operacional e a autonomia produtiva da unidade.

A expansão poderá contribuir para reduzir a dependência de importações, reforçar o abastecimento regional e desenvolver a capacidade industrial da região Centro.

Entretanto, a contribuição económica efectiva do investimento será determinada pela taxa de utilização da capacidade instalada, pela competitividade dos custos de produção, pela evolução da procura e pela capacidade de desenvolver relações com fornecedores e prestadores de serviços nacionais.

A experiência evidencia a importância de associar investimento industrial, modernização tecnológica, eficiência energética e desenvolvimento das cadeias de valor.

A entrada em funcionamento da nova linha do Dondo introduz uma alteração relevante na cadeia de produção de cimento em Moçambique: uma matéria-prima até agora adquirida no exterior passa a ser produzida em território nacional. Numa economia que continua a enfrentar restrições cambiais e dificuldades de expansão da indústria transformadora, o investimento evidencia uma oportunidade concreta de reduzir a dependência externa através da integração industrial. A questão que se coloca é quantas outras cadeias produtivas nacionais continuam a importar aquilo que poderiam produzir competitivamente no país.

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Redacção

Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

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