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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026
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Governo Defende Diversificação Económica Antes das Receitas do Gás e Projecta Novo Ciclo de Investimento

O
Redacção
29 Out 2026 · 10h49
29 Out 2026 · 12h02
17 minutos
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Ministro da Planificação e Desenvolvimento sustenta que os grandes investimentos energéticos devem impulsionar a agricultura, a indústria, o turismo, os corredores logísticos e as empresas nacionais. Com receitas fiscais expressivas do GNL previstas apenas a partir de 2029 ou 2030, o Governo aposta no financiamento produtivo, na consolidação das contas públicas e numa maior integração empresarial, num contexto em que o crédito ao sector privado permanece limitado e a economia formal absorve uma pequena parcela dos jovens que entram anualmente no mercado de trabalho, enquanto procura acelerar a recuperação de uma economia que continua a crescer abaixo do seu potencial.

QUESTÕES-CHAVE
  • Governo perspectiva que o gás natural se torne uma fonte de financiamento da diversificação produtiva, com receitas fiscais mais expressivas a partir de 2029 ou 2030;
  • Salim Valá defende que as receitas do gás natural sejam canalizadas para sectores capazes de diversificar a economia e gerar emprego;
  • Economia regista três trimestres consecutivos de crescimento após a contracção de 2025, mas continua condicionada pela baixa produtividade e pelas restrições de financiamento;
  • Investimento directo estrangeiro atingiu cerca de US$ 5,6 mil milhões em 2025 (+60%), enquanto o crédito ao sector privado recuou para 16,5% do PIB;
  • Agricultura contribui com 31,6% para o produto nacional, mas absorve apenas 3,1% do crédito concedido à economia;
  • Banco de Desenvolvimento de Moçambique deverá iniciar operações em 2027, com capital previsto de 32 mil milhões de meticais;
  • Governo perspectiva concluir um novo programa com o FMI até ao final de 2026, num contexto de consolidação das contas públicas;
  • ENDE 2025–2044 prevê mobilizar US$ 341,9 mil milhões para reduzir a pobreza para 27,7% e triplicar o PIB per capita até 2044.
Ministério do Desenvolvimento Económico
Salim Valá, Ministro da Planificação e Desenvolvimento de Moçambique,

Governo Defende Que Gás Natural Seja Instrumento de Diversificação Económica

O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Cripton Valá, defende que Moçambique deve aproveitar o próximo ciclo de investimentos em gás natural para acelerar a diversificação da economia, financiar actividades produtivas e ampliar a participação das empresas nacionais, numa estratégia destinada a evitar que a expansão dos megaprojectos se concentre na exportação de recursos naturais com reduzidas ligações à produção doméstica.

A posição constitui um dos principais eixos da narrativa expressa na entrevista à revista Forbes África Lusófona, na Ilha do Sal, em Cabo Verde, a 27 de Outubro, subordinada ao tema “Moçambique: Da Retoma à Transformação”.

A perspectiva é especialmente relevante num momento em que os investimentos previstos na Bacia do Rovuma rondam US$ 50 mil milhões, mas as receitas fiscais mais expressivas dos projectos de gás natural liquefeito só deverão materializar-se a partir de 2029 ou 2030.

A mensagem central que o Ministro deixou na entrevista é a de que o crescimento da economia não pode ficar subordinado ao calendário de maturação dos projectos energéticos, devendo ser impulsionado pela agricultura, turismo, indústria, logística e pequenas e médias empresas.

“As receitas do gás vão financiar a agricultura, a indústria, o turismo e as infraestruturas, que são os sectores que criam emprego para os moçambicanos. Devidamente enquadrado na Estratégia de Desenvolvimento do país, o gás natural pode ser um potente activador da diversificação económica, não seu concorrente”, disse Salim Valá.

A formulação do governante traduz uma preocupação com a capacidade de transformar os investimentos extractivos numa base económica mais diversificada, através da criação de fornecedores nacionais, formação de competências e expansão das actividades industriais.

O Coral Sul encontra-se em produção desde 2022, enquanto o Coral Norte tem entrada em produção prevista para 2028. O Mozambique LNG apresenta uma execução acumulada estimada em cerca de 40%, ao passo que o Rovuma LNG prepara a sua próxima fase de desenvolvimento.

A dimensão destes investimentos oferece oportunidades de contratação empresarial, emprego e transferência de conhecimentos, mas coloca igualmente a questão da participação efectiva das empresas moçambicanas nos respectivos fornecimentos.

A experiência da Mozal, após cerca de 25 anos de actividade com reduzida transformação doméstica do alumínio produzido, constitui uma referência para a estratégia de conteúdo local no sector energético.

“Um recurso tem um preço”, mas “o valor que gera é aquilo que um país sabe fazer com ele”, reforçou o Ministro.

Salim Valá introduziu uma questão relevante para o desenvolvimento do País: a dimensão das exportações e dos investimentos não assegura, por si só, a expansão da indústria transformadora, a criação de empresas nacionais competitivas ou a diversificação das fontes de rendimento.

Recuperação Económica Prossegue, Mas Crescimento Mantém-se Abaixo do Potencial

A aposta na diversificação surge num contexto de recuperação gradual da actividade económica, depois da contracção registada em 2025, estimada em cerca de 0,2% pelo Fundo Monetário Internacional.

O Produto Interno Bruto registou três trimestres consecutivos de crescimento, com uma expansão homóloga de 5,1% no quarto trimestre de 2025, seguida de 0,1% no primeiro trimestre de 2026 e 1,7% no segundo trimestre.

A recuperação tem sido sustentada sobretudo pela hotelaria e restauração, que cresceu 14,5% no segundo trimestre, pelos transportes, com uma expansão de cerca de 8%, e pelo comércio, que avançou 7,3%.

Em jeito de síntese económica, Valá destacou a mudança de trajectória através de uma formulação que associa a recuperação da actividade à orientação orçamental do próximo exercício:

“Em 2025, Moçambique perdeu um ano de crescimento. Em 2026, a economia voltou a crescer, e o PESOE de 2027 consolida essa recuperação.”

Apesar da evolução positiva, o crescimento permanece distante das taxas que caracterizaram os períodos de maior expansão da economia moçambicana.

Entre 2000 e 2015, o País registou um crescimento médio próximo de 8% ao ano, enquanto no período de 2016 a 2024 a expansão média se situou abaixo de 3%.

A economia foi igualmente afectada pelas cheias registadas no início de 2026, cujos prejuízos foram estimados em cerca de 2% do PIB, atingindo aproximadamente 724 mil pessoas.

No plano macroeconómico, a inflação homóloga desacelerou para 6,31% em Setembro, contra 7,6% em Julho, enquanto a taxa MIMO se situava em 9,25%, substancialmente abaixo dos 17,25% registados em 2023.

A estabilidade relativa do metical, com uma cotação próxima de 63,9 unidades por dólar norte-americano, constitui outro elemento da avaliação governamental.

Contudo, a melhoria dos indicadores monetários ainda não se traduz numa recuperação equivalente do financiamento produtivo, particularmente nos sectores com maior capacidade de criação de emprego.

Para 2027, o Governo prevê um crescimento de 1,6%, enquanto o FMI apresenta uma projecção de cerca de 2%, reflectindo expectativas de recuperação moderada.

Investimento Estrangeiro Atinge Máximo, Mas Financiamento Empresarial Continua Limitado

O investimento directo estrangeiro atingiu aproximadamente US$ 5,6 mil milhões em 2025, representando um crescimento de cerca de 60% относительно ao ano anterior.

O resultado confirma a capacidade de atracção de capitais internacionais, particularmente para os grandes empreendimentos energéticos e extractivos.

Entretanto, o dinamismo do investimento estrangeiro contrasta com a evolução do crédito à actividade empresarial nacional.

Entre 2023 e 2025, o crédito ao sector privado recuou de 19,3% para 16,5% do PIB, evidenciando as dificuldades de financiamento enfrentadas por empresas de diferentes dimensões.

A situação assume particular importância para as micro, pequenas e médias empresas, que representam aproximadamente 95% do tecido empresarial e contribuem com cerca de 31% para o produto.

O Governo procura responder a estas limitações através de mecanismos de garantia de crédito, fundos de desenvolvimento e medidas de estímulo à produção.

A estratégia inclui o Fundo de Garantia Mutuária, o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, o PRO-MULHER, o Fundo Catalítico e o FINOVA, procurando ampliar o acesso ao capital e reduzir os obstáculos à realização de investimentos.

Tudo acontece num contexto em que o Estado procura criar condições para a expansão da actividade empresarial, reservando ao sector privado um papel determinante no crescimento económico.

Ainda assim, a importância do investimento estrangeiro levanta uma questão estrutural: o volume de capitais mobilizados para os grandes projectos continua a contrastar com a capacidade de financiamento das empresas responsáveis por uma parte significativa da produção e do emprego nacionais.

Agricultura Representa 31,6% do PIB, Mas Recebe Apenas 3,1% do Crédito

Moçambique | Indicadores de Financiamento e Estrutura Produtiva

  • Investimento Directo Estrangeiro (2025): US$ 5,6 mil milhões (+60% variação homóloga)
  • Crédito ao Sector Privado: Recuo de 19,3% (2023) para 16,5% do PIB (2025)
  • Contribuição da Agricultura no PIB: 31,6% do produto nacional
  • Crédito Bancário à Agricultura: Apenas 3,1% do total concedido à economia
  • Mercado de Trabalho Jovem: ~500 mil novos ingressos/ano para ~25 mil empregos formais gerados

Fonte: Ministério da Planificação e Desenvolvimento / Dados Oficiais das Contas Nacionais.

A agricultura constitui uma das áreas onde a diferença entre importância económica e acesso ao financiamento é particularmente expressiva.

Embora represente 31,6% do Produto Interno Bruto e concentre uma parcela dominante do emprego, o sector absorve apenas 3,1% do crédito concedido à economia.

Esta assimetria continua a limitar o investimento em mecanização, irrigação, tecnologias produtivas, armazenamento e transformação agroindustrial. Isso mesmo reconhece o Ministro da Planificação e Desenvolvimento.

“A reduzida disponibilidade de financiamento constitui também um obstáculo à participação dos pequenos produtores nos mercados comerciais e à expansão das cadeias nacionais de abastecimento alimentar”, acrescenta Salim Valá.

Enfatizou, para ilustrar, que “Moçambique continua a importar arroz e óleos alimentares, apesar de dispor de recursos agrícolas capazes de sustentar uma maior produção doméstica”.

O Programa Quinquenal do Governo prevê aumentar o número de infraestruturas de agroprocessamento de 18 para 101 unidades e expandir as instalações de armazenamento de 316 para 1.257 até 2029.

A estratégia procura articular produção, processamento e comercialização, particularmente através da organização das actividades agrícolas nos corredores económicos.

A expansão da agroindústria representa uma oportunidade para melhorar o rendimento dos produtores, reduzir perdas pós-colheita e aumentar a participação dos produtos nacionais no abastecimento dos mercados.

Contudo, a competitividade agrícola continuará condicionada pela qualidade das infraestruturas de transporte, pelos custos logísticos e pela limitada integração dos circuitos de comercialização.

A transformação deste sector exige, por isso, uma articulação entre financiamento produtivo, organização da produção, processamento industrial e acesso aos mercados.

Banco de Desenvolvimento Deverá Financiar Projectos Que a Banca Comercial Não Abrange

A criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique constitui uma das principais iniciativas destinadas a responder às dificuldades de financiamento de médio e longo prazo.

A instituição, criada pela Lei n.º 17/2026, de 15 de Junho, deverá iniciar operações em 2027, com capital social previsto de 32 mil milhões de meticais, equivalente a aproximadamente US$ 508 milhões.

O Estado deverá manter uma participação mínima de 51%, admitindo-se a entrada de outros accionistas até 49% do capital.

O Ministro identificou directamente o segmento de financiamento a que a nova instituição deverá responder:

“O Banco de Desenvolvimento vai financiar os projectos de retorno longo na agricultura, indústria, energia, turismo, infraestruturas, entre outras áreas estratégicas, que a banca comercial hoje não financia.”

Depreende-se que a instituição deverá concentrar-se em projectos produtivos com períodos de maturação relativamente longos, incluindo actividades agrícolas, agroindustriais, energéticas e de infraestruturas.

A sua criação procura responder a uma lacuna persistente do sistema financeiro nacional, caracterizado pela limitada oferta de crédito de investimento e pela predominância de instrumentos de curto prazo.

O Banco deverá igualmente mobilizar financiamento multilateral e estabelecer mecanismos de co-financiamento com investidores privados.

A sua sustentabilidade exigirá, contudo, independência técnica nas decisões de crédito, critérios rigorosos de avaliação dos projectos e uma gestão financeira compatível com os objectivos de desenvolvimento.

Corredores Logísticos Deverão Estimular a Produção e a Industrialização

O desenvolvimento dos corredores económicos constitui outra prioridade da estratégia de transformação produtiva.

Em 2025, os portos moçambicanos movimentaram aproximadamente 69 milhões de toneladas de carga, um crescimento de 43% relativamente a 2021.

O Porto de Maputo atingiu cerca de 32 milhões de toneladas, enquanto o Porto da Beira registou uma expansão de 13,5 milhões para 17,5 milhões de toneladas num período de quatro anos.

A expansão da actividade logística confirma a importância crescente de Moçambique nas cadeias regionais de transporte e comércio, particularmente no escoamento de mercadorias provenientes dos países do interior da África Austral.

O desafio identificado pela política económica é assegurar que os corredores não funcionem predominantemente como plataformas de trânsito, mas contribuam para o estabelecimento de actividades industriais e produtivas nas regiões abrangidas.

Neste contexto, Moçambique propôs, no Fórum de Investimento da África Lusófona, uma Plataforma Lusófona de Investimento em Corredores de Desenvolvimento, destinada a facilitar a mobilização de capitais e a preparação de projectos financiáveis.

A iniciativa pretende articular os corredores do Lobito, em Angola, e da Beira e Nacala, em Moçambique, criando oportunidades de integração industrial e logística entre os oceanos Atlântico e Índico.

A estratégia contempla a expansão de parques industriais, plataformas de processamento agrícola, serviços logísticos e actividades empresariais associadas às cadeias regionais de valor.

O desenvolvimento destas ligações poderá ampliar a utilização produtiva das infraestruturas de transporte e melhorar as condições de acesso aos mercados.

Consolidação Orçamental e FMI Integram Estratégia de Recuperação da Confiança

A transformação económica decorre num contexto em que a sustentabilidade das finanças públicas continua a condicionar a capacidade de financiamento do Estado e da actividade empresarial.

O Governo prevê reduzir o défice orçamental para 4,6% do PIB em 2027, com receitas equivalentes a 23,5% do produto e financiamento interno limitado a 1,9% do PIB.

A estratégia pretende reduzir a absorção de recursos bancários pelo Estado, criando condições para uma maior disponibilidade de crédito às empresas.

Em 2026, Moçambique liquidou obrigações junto do Fundo Monetário Internacional equivalentes a aproximadamente US$ 701 milhões, ao abrigo do Fundo Fiduciário para a Redução da Pobreza e o Crescimento.

Paralelamente, decorrem negociações para um novo programa financeiro, cuja conclusão o Executivo prevê alcançar até ao final do ano.

“Moçambique pagou ao FMI, saiu da lista cinzenta e está a reduzir o défice. É com estes resultados que negociamos com os parceiros”, afirmou o Ministro da Planificação e Desenvolvimento.

A saída de Moçambique da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional, em Outubro de 2025, constitui outro elemento da estratégia de melhoria das condições de financiamento e das relações com o sistema financeiro internacional.

O eventual novo programa com o FMI poderá contribuir para aumentar a previsibilidade macroeconómica, facilitar o acesso a recursos concessionais e fortalecer a confiança dos investidores.

Contudo, persistem desafios relacionados com a composição da dívida pública, particularmente o peso do endividamento interno de curto prazo e a necessidade de assegurar financiamento para investimentos prioritários.

A consolidação orçamental procura, assim, reduzir os desequilíbrios financeiros e melhorar as condições para uma recuperação sustentada do investimento produtivo.

ENDE Prevê Reduzir Pobreza Para 27,7% e Triplicar PIB Per Capita Até 2044

ENDE 2025–2044 | Principais Metas Longo Prazo

  • Redução da Pobreza: Redução da incidência de 65% para 27,7%
  • PIB Per Capita: Crescimento de US$ 662 para US$ 2.100 (triplicação)
  • Sector Secundário no PIB: Elevação do peso de 12,4% para 30,5%
  • Desemprego Juvenil: Redução de 24,8% para 14,1% até 2044
  • Necessidades Globais de Financiamento: US$ 341,9 mil milhões (duas décadas)

Fonte: Estratégia Nacional de Desenvolvimento (ENDE 2025–2044).

A Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044 estabelece metas ambiciosas de transformação económica e social, assentes na diversificação produtiva, no desenvolvimento do capital humano e na expansão das infraestruturas.

Entre os principais objectivos figuram a redução da incidência da pobreza de 65% para 27,7%, o aumento do PIB per capita de US$ 662 para US$ 2.100 e a universalização do acesso à electricidade até 2044.

A estratégia prevê igualmente elevar o peso do sector secundário no PIB de 12,4% para 30,5% e aumentar a contribuição das exportações não associadas ao gás natural.

“Cada meta da ENDE tem um indicador, um prazo e um balanço público”, sublinhou.

A estratégia estima necessidades globais de financiamento de aproximadamente US$ 341,9 mil milhões ao longo de duas décadas, incluindo cerca de US$ 114 mil milhões destinados à transformação estrutural da economia.

A mobilização destes recursos pressupõe uma combinação de investimento público, financiamento multilateral, capital privado e investimento directo estrangeiro.

A dimensão das necessidades financeiras evidencia a importância de assegurar uma articulação consistente entre as prioridades de desenvolvimento, os programas sectoriais e os instrumentos de financiamento.

Emprego Jovem Constitui Um dos Maiores Desafios da Transformação Económica

A criação de emprego representa uma das principais exigências da estratégia nacional de desenvolvimento.

As estimativas apresentadas apontam para a entrada de aproximadamente 500 mil jovens no mercado de trabalho em cada ano, perante uma criação de cerca de 25 mil postos de trabalho formais.

“Por cada 20 jovens que procuram emprego, a economia formal cria um posto de trabalho.”

A relação evidencia a necessidade de acelerar o crescimento de actividades económicas com maior capacidade de absorção de mão-de-obra, particularmente na agricultura, agroindústria, turismo, logística, construção e serviços.

A ENDE estabelece como meta reduzir o desemprego juvenil de 24,8% para 14,1% até 2044, através de medidas de estímulo ao investimento, formação profissional e fortalecimento empresarial.

O Governo pretende igualmente ampliar a cobertura do ensino técnico e profissional, passando de 8,2% para 11,2% até 2029, com a construção de novas instituições de formação e o desenvolvimento de competências ajustadas às necessidades do mercado.

A expansão dos grandes projectos energéticos poderá gerar oportunidades de emprego especializado, mas o aumento da absorção de mão-de-obra em maior escala continuará associado ao desempenho dos sectores não extractivos.

Transformação Económica Exige Continuidade das Prioridades

Para Salim Valá há uma necessidade de articular o crescimento dos grandes investimentos com a expansão da capacidade produtiva nacional.

A estratégia que o Governo defende, neste aspecto, de acordo com o Ministro, preconiza uma intervenção pública orientada para a selecção de sectores prioritários, criação de ligações entre os megaprojectos e as empresas nacionais, exigência de contrapartidas produtivas e avaliação dos resultados.

“Liderar é escolher poucas prioridades, explicá-las aos cidadãos e medir os resultados, mesmo quando demoram”, disse o Ministro.

O desafio económico é particularmente relevante num País que recebeu aproximadamente US$ 5,6 mil milhões de investimento directo estrangeiro em 2025, mas continua a enfrentar dificuldades de financiamento nos sectores responsáveis por grande parte do emprego e da produção.

A agricultura absorve apenas 3,1% do crédito à economia, enquanto a criação anual de cerca de 25 mil empregos formais permanece muito abaixo das necessidades de uma população jovem em expansão.

A perspectiva de receitas fiscais expressivas do gás a partir de 2029 ou 2030 oferece um horizonte importante para o financiamento do desenvolvimento, mas a diversificação produtiva terá de avançar antes da sua materialização, defende Salim Valá.

Neste contexto, de acordo com a reflexão feita na entrevista, “o desempenho dos próximos anos estará estreitamente associado à expansão do crédito empresarial, à capacidade de industrialização dos corredores económicos e ao aumento da produtividade agrícola”.

“A escala das oportunidades e dos desafios evidencia a distância que ainda separa a mobilização de grandes volumes de investmento da formação de uma economia suficientemente diversificada para gerar emprego e rendimento numa base social mais ampla”, afirmou Salim Valá.

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Redacção

Oeconomico

Informação e análise económica sobre Moçambique e a África Austral.

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